segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

SALVARAM-SE POUCOS EM 2008

Prezados,

Em um ano como 2008, a volatilidade marcou forte presença, o que provavelmente assustou aos novatos, pois o Índice Bovespa flutuou entre 73.920 e 26.435 pontos.

Portanto, encontrar um fundo de ações que tenha fechado no azul é quase missão impossível.

Mas, remexendo em um universo de 1.060 fundos, podemos ver que ao menos dois fecharam com ganhos.


OS GANHADORES

O Nossa Caixa é formado apenas por ações da própria instituição, que subiram este ano graças ao anúncio da compra pelo Banco do Brasil.


E o Polo Fia, da Polo Capital, é um fundo mais sofisticado, meio fundo hedge, com muitas operações de arbitragem e estratégias que vão além da compra e venda de ações apenas.


OS MENORES E MAIORES PERDEDORES

Os menos infelizes foram alguns fundos de dividendos ou de setores defensivos, como energia, telecom e bancos.


Entre os que mais perderam, o destaque fica com o fundo alavancado GWI, que acumulava queda de 98% no ano até dia 18, um resultado coerente com sua estratégia, de ampliar os efeitos da tendência dos papéis.


Alavancagem foi também o que fez o fundo Santander Vale Mais, da Santander Asset Management, perder 60,89%, mais que os 51% da média dos fundos de ações da mineradora. A carteira podia ter exposição de 120% em Vale. Os fundos Petrobras perdem, na média, 46% no ano até dia 18.


Outra estratégia bastante afetada foi a setorial de construção civil. O segmento passou de vedete da bolsa em 2007 para o que mais perdeu este ano. As estratégias envolvendo ações de menor valor de mercado, ou "small caps" - onde também há um grande número de empresas de construção -, também foram bastante prejudicadas pela crise. Nessa lista, entram também o Geração FIA, do banco Geração Futuro, e o Fama Challenger, da Fama Investimentos.


PORÉM.. NO LONGO PRAZO...

A crise deste ano não foi capaz, porém, de tirar o brilho das carteiras dos últimos cinco anos. Observando os fundos de ações a partir de 31 de dezembro de 2003 - depois do ajuste à forte queda ocorrida em 2002 durante a campanha presidencial -, há várias carteiras bem acima do Ibovespa.


RECEITA PARA 2009: CAUTELA E CANJA DE GALINHA

Apesar de alguns terem lampejos de otimismo, considero oportuno priorizar os chamados setores defensivos, que não dependem tanto do cenário econômico local ou internacional, leia-se: ENERGIA, TELECOM FIXA, BANCOS.


Porém, não se pode deixar de ter em conta que parte substancial da bolsa, porém, vai sofrer, pois é ligada a commodities e, para elas, o cenário não é dos mais auspiciosos pelas dificuldades esperadas para as economias internacionais.


BON$ INVE$TIMENTO$ & FELIZ 2009 !!!!!





segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

O QUE O BANCO CENTRAL E A VENDEDORA DE ROUPA POSSUEM EM COMUM?

Prezados,

Já viram, ou melhor dizendo, já ouviram uma vendedora de roupa dizer que a calça que você escolheu é feia? Ou que a blusa caríssima que você quer comprar ficará brega em você?
Não! Não é mesmo?

Pois bem, a lógica é a mesma para as atuais declarações do BACEN.

O Banco Central reduziu sua projeção para a inflação em 2009, nesta segunda-feira para 4,7 por cento e anunciou uma estimativa de crescimento do PIB de 3,2 por cento para o período - bem abaixo do estimado para 2008, mas acima das projeções do mercado.

Ao passo que o mercado prevê que a economia crescerá 2,4 por cento no próximo ano, após alta de 5,6 por cento este ano, segundo a última sondagem do relatório Focus do BC.

EM QUEM ACREDITAR?
Bom, particularmente a projeção do BC me parece, no mínimo, audaciosa! Mas é o exemplo clássico da vendedora de jeans: se ela que vende o produto não for otimista, quem o será?

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

ACOES ELETRICAS SAO OPCAO PARA 2009

Prezados,

Dado que as Empresas do Setor Elétrico possuem:

  1. Tarifas reajustadas pelo IGP-M;
  2. Receitas menos afetadas pelo desaquecimento econômico;
  3. Retorno sobre Dividendo (o famoso DIVIDEND YIELD) bem alto.
São boas opções para o investidor em 2009.

Abaixo, uma figura comparativa entre as opções existentes.... (clique na imagem)


BUSH RELOADED EM SAPATRIX


A IMAGEM FALA POR SI.. RSSS

Faremos tudo o que seu mestre mandar?

Prezados,

Por um lado, ecoam brados retumbantes do Planalto Presidencial para que se incremente o consumo. De outro, teme-se o desemprego.

De que vale conceder crédito ao trabalhador que tem medo de perder o emprego? Será que o operário vai se aventurar a comprar a crédito nas Casas Bahia, se não sabe se terá salário daqui a 1 mês? E, se ainda assim o fizer e ficar desempregado? Quem pagará a conta?

VAMOS ENCARAR A REALIDADE!
Tirando os mentirosos de plantão, ninguém sabe exatamente o que vem pela frente no Brasil ou mesmo no mundo.

Em meio a tanta incerteza, cabe indagar: o que nós sabemos, até este ponto, será suficiente para dar conta dos próximos desafios? Ou o cenário é tão inédito que exigiria novos olhares, análises e proposições?

CONSUMIR OU NÃO: EIS A QUESTÃO!
Se por um lado, é fundamental para o bom andamento da economia que as famílias consumam, por outro paira a dúvida: como pagar a conta?

Não tenho muito claro qual será o resultado final, porém me atrevo a dizer que os impactos perdurarão por um período de tempo importante, e que se as Vendas de Natal não animarem os empresários a produção cairá ainda mais do que o previsto para o 1o. trimestre de 2009.

Não vivemos somente uma crise de crédito, estamos diante de uma crise de confiança! O que é muito mais delicado! Não basta apenas reduzir taxa de juros, afinal como digo em minhas aulas: "De que vale ser o melhor bailarino, se ninguém te convida para dançar!"

No frigir dos ovos, os prudentes sairão menos arranhados de todo esse cenário, pois não colocaram todos os recursos na mesma cesta, não se deixaram seduzir pelos ganhos exorbitantes da bolsa, aplicando com discplina e critério, ou seja, diversificando.

Aos demais, que não adotaram a disciplina necessária nestes tempos de capitalismo de cassino, fica a lição, ainda que dolorosa seja a sua conta!

BON$ INVE$TIMENTO$!

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

FED faz corte histórico dos Juros. MAS E AÍ ???

Prezados,


O Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, fez história ontem ao definir sua taxa-alvo dos fundos federais - uma taxa de empréstimos interbancários de um dia - entre zero e 0,25%. Ela já havia sido cortada para 1% em outubro. O corte foi maior do que muitos economistas esperavam.


E DAQUI PARA FRENTE?

Bom, esse é o problema!

Com as taxas de juros a quase zero, não há muito mais que o Fed possa fazer com essa tradicional alavanca para impulsionar a economia.


OUTRA PERSPECTIVA

Por um lado, reconheço que traz alento ver o FED baixar os juros. Agora, por outro lado, para isso ter ocorrido significa que as autoridades do FED acreditam que a economia estaria em situação muito pior. Portanto, cada vez mais o cenário econômico dá sinais de que continuará muito difícil, mesmo com esses paliativos!


Já estimativas de que o PIB dos EUA está a caminho de uma contração de 6,5% no trimestre atual. Se for assim, será o pior trimestre desde 1980!

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

A Maldição da Pirâmide....

Prezados,

Se me contassem esse episódio há 1 anos atrás eu não acreditaria, mas em plena crise não duvido de mais nada!

Não foram apenas investidores estrangeiros que amargaram perdas estimadas em US$ 50 bilhões com o esquema de fraude em "hedge funds" realizado pelo ex-presidente da Nasdaq, Bernard Madoff. Na lista, há também brasileiros que tinham dinheiro aplicado em fundos "offshore" (que investem no exterior) com exposição em carteiras gerenciadas pela Bernard L. Madoff Investment Securities, fundada em 1960.

Um histórico de 20 anos de retornos bem convidativos, na faixa de 1% ao mês, atraiu muitos investidores, inclusive "private banks" brasileiros.

Diferentemente do que ocorre aqui, a regulamentação dos fundos hegde é bastante flexível no mercado americano. Lá fora, os gestores podem investir em qualquer tipo de ativo, não são obrigados a publicar diariamente as cotas do fundo, nem divulgar as operações em carteira ou mesmo marcar a mercado diariamente os investimentos.

A grande maioria dos investidores brasileiros perdeu dinheiro porque aplicava no Fairfield Sentry Fund, que investia no fundo gerenciado por Madoff. Dos fundos "offshore" distribuídos para clientes "private", o Fairfield era um dos mais badalados.

Muitas instituições distribuíam esse fundo pois, além do desempenho consistente, recebiam taxas de rebate interessantes. Essa taxa consiste em uma remuneração recebida pelo assessor que indica o fundo.

O esquema fraudulento chamado de "pirâmide" não estava muito claro até ontem, mas, segundo as agências internacionais, o gestor pagava os retornos aos investidores usando o dinheiro aplicado por clientes novos. Como esse esquema conseguiu sobreviver durante tanto tempo e atravessar várias crises financeiras é a grande questão a ser respondida.


ESQUEMA DO CONTO DO VIGARIO MODERNO!

O investidor colocava o dinheiro no fundo e acompanhava o rendimento da aplicação, que se mostrou artificial. O pagamento efetivo do retorno só acontecia no saque da aplicação, mas para honrar os resgates o gestor americano mantinha uma conta com cerca de US$ 200 milhões a US$ 300 milhões. Ao longo desses anos, o fundo nunca havia enfrentado uma onda tão grande de saques. Porém, a crise chegou e com mais de US$ 7 bilhões em pedidos de resgate, Madoff se viu sem dinheiro para pagar.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

A Crise e o seu Comportamento!

Prezados,

A queda da bolsa, uma das consequências da atual crise financeira internacional, trouxe perdas significativas para as carteiras de grande parte dos investidores. O que poucos lembram quando se trata de dinheiro é que por trás dessas perdas estão pessoas de carne e osso, que muitas vezes usam mais a emoção do que a razão na hora de decidir seus investimentos.

Daí a importância do que se chama finanças comportamentais, um movimento que ganhou força nos últimos anos e que tenta explicar o mercado a partir da forma de agir e pensar dos investidores.

Por mais Poliana que pareça, uma linha de raciocínio das finanças comportamentais (estilo seleção natural) é que essa crise tem um lado positivo: os investidores que conseguirem sobreviver a esse chacoalhão nos mercados estarão muito mais preparados para continuar aplicando e para enfrentar outras crises - que sem dúvida virão - de forma mais racional.


Um dos aprendizados com essa crise é que a bolsa não vai apenas para cima, pois era essa a impressão que o investidor que comprou ações a partir de 2003 tinha. Uma outra lição que também se tira da turbulência atual é a disciplina no rebalanceamento das aplicações. Não é raro encontrar investidores que, na hora em que a bolsa está subindo, resolvem sempre ficar mais um pouquinho. No fim das contas, quando o movimento de queda começa, o investimento em ações representa no total do portfólio muito mais do que deveria. Com isso, as perdas da bolsa acabam trazendo seqüelas bem maiores do que se as ações continuassem a representar sempre o mesmo percentual na carteira.


As finanças comportamentais também revelam que as quedas da bolsa, além do prejuízo financeiro, trazem perdas sentimentais que podem ser muito maiores. Quando alguém perde alguns mil R$ na bolsa, por exemplo, perde junto todos os sonhos e planos que seriam concretizados com esse dinheiro, como comprar um carro, viajar para o exterior ou pagar os estudos do filho.


IMPACTOS

A conseqüência é que o investidor fica traumatizado e, dependendo do tamanho dos planos que ele tinha para o dinheiro, tira da bolsa aquilo que restou e passa muito anos sem sequer querer ouvir falar sobre ações.


Por outro lado, há alguns estudos que mostram que as pessoas têm facilidade de digerir as perdas ao longo do tempo e que a partir de um determinado momento a cabeça passa a lembrar apenas dos momentos bons e das vitórias. Provavelmente, o investidor novato levará um bom tempo para curar as feridas dessa crise, mas depois que isso acontecer ele voltará para a bolsa, lembrando de todos os ganhos que teve com as ações antes da turbulência ocorrer.

O estudo das finanças comportamentais ainda ajuda a entender por que as pessoas geralmente agem da mesma forma na hora de aplicar. Uma atitude bastante comum é a disposição em vender muito mais as ações que subiram do que as que se desvalorizaram.


Isso acontece porque o ser humano tem aversão a perdas.



Um investidor típico se sente muito mais triste quando perde 10% do que se sente feliz quando ganha exatamente o mesmo percentual.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

O QUE ESPERAR DE 2009?

Prezados,

O ano de 2008 não deve deixar muita saudade para os investidores, mas provavelmente entrará para a história econômica como o de uma das mais graves crises desde o CRASH de 1929, tornando-se, sem dúvida, objeto de grande interesse por parte dos economistas. Muitos ícones do capitalismo mundial sucumbiram e muitos outros chegaram perto do abismo, sendo salvos por ações incisivas de resgate pelos principais governos do mundo desenvolvido.

A crise mundial encontrou um Brasil crescendo em ritmo forte, estimulado por altos preços de matérias-primas, grandes fluxos de investimentos, consumo doméstico em forte expansão, criação recorde de empregos e taxas de juros nominais historicamente baixas para o padrão recente da economia brasileira. O colapso do sistema bancário das principais economias e a contração de crédito serão um divisor de águas para a economia do Brasil. O súbito estancamento do crédito produziu um tombo nos preços das principais matérias-primas exportadas pelo Brasil, afetou a nossa taxa de câmbio ao reduzir as linhas de comércio e restringiu a oferta de financiamento doméstico, com reflexos mais significativos naqueles setores que mais dependem do crédito, como bens duráveis e construção civil.

O QUE VIRÁ EM 2009 ENTÃO?
O desempenho da economia brasileira em 2009 estará condicionado pela evolução da crise global e, neste sentido, os sinais não são nem um pouco alentadores. O colapso bancário nas principais economias produzirá talvez a mais forte recessão do pós-guerra, o que terá impacto nefasto sobre os preços das matérias-primas, sobre os investimentos e fluxos de capitais. A queda na demanda mundial e, por tabela, nos preços das matérias-primas, afetará a agricultura e mineração, entre outros setores. A escassez de crédito comprometerá o desempenho dos setores de bens duráveis e construção civil, além dos investimentos. Por todos esses efeitos os países ao redor do globo continuarão sofrendo o forte impacto da crise.

O próximo ano, portanto, será muito diferente do que vimos até agora.

O crescimento econômico será seriamente afetado e deverá cair substancialmente em relação aos últimos dois anos, talvez ficando muito abaixo das atuais projeções feitas pelo mercado financeiro.

É provável até que tenhamos dois trimestres seguidos de queda no PIB. Teremos menos geração de emprego e menor crescimento de renda. A tendência da inflação também está envolta em grande incerteza.

Se por um lado a alta do dólar exercerá fortes pressões nos preços, por outro lado, vários fatores baixistas estão ganhando dimensão. Primeiro, a forte queda observada nos preços das matérias-primas; segundo, a retração na economia mundial deverá produzir efeitos deflacionários; terceiro, o dólar se valorizou em relação às moedas de nossos principais parceiros econômicos, o que dilui os efeitos da depreciação do real; e por último, a economia brasileira verá seu ritmo de crescimento ser fortemente afetado, com notável enfraquecimento da demanda.

Assim, é provável que o processo de aperto monetário iniciado no segundo trimestre deste ano já tenha chegado a seu fim!

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Aprenda com a CRISE!

Prezados,

A velocidade com que o atual tsunami financeiro está destruindo previsões tem deixado parte dos investidores atordoada.

Eis um compêndio de 5 Lições a serem aprendidas:

1 - APROVEITE OS MOMENTOS DE ALTA PARA EMBOLSAR PARTE DO GANHO
Errou quem não aproveitou os recordes alcançados pela bolsa para sacar parte do dinheiro aplicado em fundos de ações ou diretamente na bolsa. Como evitar o erro no futuro? Determinar um percentual máximo de aplicação do portfólio em bolsa e sempre vender o excedente.

2 - NÃO COMPRE AÇÕES EM GRANDE QUANTIDADE DE UMA VEZ SÓ
Errou quem colocou muito dinheiro na bolsa nos últimos meses por achar que ela estava no fundo do poço. Até agora a bolsa não parou de cair. Como evitar o erro no futuro? Fazer aportes pequenos e constantes para não correr o risco de aplicar muito no momento errado.

3 - AVALIE BEM SEU APETITE PARA O RISCO
Errou quem aplicou mais do que gostaria em ações ou fundos de renda variável achando que o vetor da bolsa apontaria eternamente para cima. Como evitar o erro no futuro? Mesmo que a conjuntura seja favorável, é crucial sempre fazer um cálculo de como a aplicação se comportaria em um cenário de crise.

4 - NÃO ENTRAR NA BOLSA COM DATA PARA SAIR
Errou quem contou com o retorno do fundo de ações ou do investimento em papéis da bolsa para realizar algum projeto de curto prazo, como uma viagem ou a compra de um carro. Como evitar o erro no futuro? Os especialistas recomendam deixar o dinheiro de curto prazo aplicado num investimento conservador de renda fixa, entre eles os fundos DI ou a caderneta de poupança.

5 - CONHEÇA AS REGRAS DE ONDE APLICA SEU DINHEIRO
Errou quem decidiu aplicar em um fundo multimercado e acabou, sem querer, escolhendo um alavancado de altíssimo risco. Como evitar o erro no futuro? Não fazer aplicações sem conhecer as possíveis mudanças de estratégia previstas no regulamento do fundo.

BON$ INVE$TIMENTO$!

Crash de 2008 e 1929: Aprenda com o video!

Video interessante sobre a crise deste ano!

Clique no video para ir para o link e assistir a apresentação


segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Na crise, fundamento fica em 2º plano

Prezados,

Os últimos dois trimestres foram marcados pelo descolamento entre os fundamentos das empresas e seu valor no mercado. Como nunca, os preços hoje são influenciados por problemas de liquidez dos investidores. Muitas empresas estão com preços profundamente massacrados por conta da necessidade de que fundos, instituições e investidores pessoas físicas têm de se desfazer das ações, vendendo-as a qualquer preço.

E isso tem acontecido mesmo no caso de empresas com bons fundamentos, entre eles capacidade produtiva, volume de vendas e demanda em níveis bastante aquecidos. O que, hoje, está influenciando os preços das ações é um cenário completamente negro, como se de fato as empresas tivessem pela frente uma incapacidade, mesmo aquelas que têm reserva de caixa forte.

Entre as principais distorções, vale citar o caso da Copasa, empresa de saneamento de Minas Gerais. Para refletir seu valor hoje, a sua geração de caixa da empresa teria que cair a uma taxa de 9% ao ano nos próximos anos, mesmo se a companhia mantivesse o agressivo plano de investimentos que tem programado. Isto significa que, mesmo investindo cerca de R$ 400 milhões por ano, ainda assim a empresa teria que reduzir suas linhas de água e esgoto em 5%, além de não conseguir reajustar suas tarifas durante os próximos 10 anos, o que representa um cenário absolutamente catastrófico.

Outro exemplo de descolamento é a Comgás, empresa que tem uma estabilidade de fluxo de caixa bastante interessante, graças a um mercado residencial cativo. As ações da Comgás, também foram bastante afetadas pelo agravamento da crise, com o preço embutindo uma redução perpétua de 5% no número de clientes residenciais, que hoje crescem a mais de 10% ao ano, e também uma queda permanente de 5% nos volumes industriais, que hoje acompanham o Produto Interno Bruto (PIB).

Quando a razão voltar ao mercado, estas e outras discrepâncias serão ajustadas. A grande questão é saber quanto tempo ainda esta tormenta irá demorar a passar!

BON$ INVE$TIMENTO$

terça-feira, 4 de novembro de 2008

OUTUBRO passou, mas e agora? O que esperar?

Prezados,

Os primeiros dias de novembro trouxeram uma brisa de esperança.... Afinal, o terremoto que ocorreu em outubro passou!

MAS A CRISE ACABOU?
Bom, primeiro quero ressaltar que a crise é muito pior do que se esperava, em minha opinião mais pela velocidade que pelas conseqüências.

Muitos têm me perguntado se o pior já passou, após vários falsos alarmes.

O primeiro (lembram-se?) foi a falência de dois hedge funds do Bear Stearns em junho e julho de 2007.

Parafraseando John Kenneth Galbraith, “há dois tipos de previsores: aqueles que não sabem, e aqueles que não sabem que não sabem.” Eu não sei.

Ainda poderá haver (muitas) notícias negativas. As possíveis fontes de desapontamento: incertezas sobre o sucesso do plano de ajuda dos EUA, queda nos preços dos imóveis nos EUA e em outras partes do mundo, recessão global maior e mais prolongada, queda nas margens de lucros, crescimento do risco geopolítico, e principalmente China.

Apesar dos riscos, meu sentimento é de que os mercados atualmente se sentem mais confiantes que governantes no mundo inteiro farão o que for necessário para conter a crise financeira, e as condições no mercado interbancário e de commercial papers estão melhores.

Foi também de extrema importância que value investors como Warren Buffet e Jeremy Grantham se tornaram mais positivos. O que aconteceu nas últimas semanas foi um processo brutal de vendas dos hedge funds e uma grande piora nas expectativas de recessão global e crescimento dos lucros. Poderá levar ainda um tempo, mas isso é apreçável , i.e. os preços das ações podem apenas descontar o que podem reconhecer. Desta forma, com a procura por barganhas, é possível que as bolsas experimentem um rally até o final do ano.

Adicionalmente, uma possível antecipação do anúncio do próximo Secretário do Tesouro norte-americano pode acrescentar ânimo aos mercados. Em função da crise financeira, a escolha dessa pessoa deve estar no topo da lista de prioridades do presidente dos EUA a ser eleito amanhã.

O cargo não tem sido tão crucial desde que Robert Rubin, no governo Clinton, que ajudou a reduzir o déficit fiscal e propiciar anos de alto crescimento nos EUA e no mundo.

E 2009?

Independentemente como as bolsas encerrem o ano e mesmo que as piores expectativas de recessão global se confirmem, estou mais positivo para as bolsas em 2009.

Para os investidores de longo prazo, acredito que estamos em um momento histórico de comprar ações a preços extremamente baratos. De novo, isso não quer dizer que as bolsas possam cair mais, mas que para os próximos três, quatro, cinco anos, boas escolhas na bolsa deverão ter desempenho superior a qualquer outro tipo de investimento.

Os fundamentos mudaram. Contrariamente do que provavelmente teria ocorrido há algumas semanas, o mercado (corretamente) reagiu positivamente à desistência da Lojas Renner em adquirir a Leader, ao fato da OHL não ter feito nenhuma oferta nas licitações das rodovias estaduais de São Paulo e à decisão da Marcopolo em revisar seu plano de investimento na Rússia.


Este é o momento de reconhecer o mérito e pagar prêmio para as empresas que têm (i) grande previsibilidade de geração de caixa, (ii) situação financeira confortável, e (iii) prudência para o pôr o pé no freio no crescimento das vendas para administrar a necessidade de capital de giro ou no programa de investimentos para não aumentar seu endividamento.

Continuo a recomendar cautela com setores/empresas que têm grande necessidade de capital de giro para financiar suas operações, e.g. construção civil e açúcar & etanol. O mercado de crédito corporativo se tornou seletivo, o custo de empréstimos tem subido significativamente e a bolsa (por ora) não é alternativa de captação de recursos.

BON$ INVE$TIMENTO$!

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Ações de bancos médios evaporam diante da crise

Prezados,

Quem disse que a crise não nos atingiria?

Quem acreditou no potencial dos bancos médios e no ano passado participou das ofertas públicas iniciais de ações (IPOs), hoje amarga perdas que chegam a quase 80% do valor aplicado. O resultado é reflexo da fuga dos investidores estrangeiros da Bolsa, que levou as ações a despencarem mais que o triplo do Ibovespa no período. Nos IPOs, os investidores de outros países foram os que mais compraram ações dos bancos médios, chegando a embolsar 88% dos papéis ofertados.

As instituições brasileiras, embora nunca tenham trabalhado com o segmento subprime (hipotecas de alto risco), estão sentindo no caixa o impacto da crise financeira que levou gigantes internacionais à lona. A escassez de recursos no mercado colocou os bancos médios em situação bastante delicada - e sem previsão de melhora. Levantar dinheiro para conceder crédito consignado, financiar veículos ou emprestar a micro e pequenas empresas ficou cada vez mais caro, apesar dos esforços do Banco Central para manter a liquidez.

Diferentemente dos grandes bancos, as instituições de médio porte não oferecem serviços de conta corrente, recebem investimentos ou comercializam seguros e títulos de capitalização. Seu caixa, portanto, depende das captações nos mercados externo e interbancário e de instrumentos como os Certificados de Depósito Bancário (CDBs). Como a crise não é só de crédito, mas também de confiança, até as negociações de CDBs não estão sendo fáceis.

Ações anti-crise
Nas últimas semanas, o Banco Central anunciou uma série de medidas para minimizar o impacto da crise financeira no país. Por meio de mudanças nas regras do depósito compulsório - o dinheiro que os bancos são obrigados a manter junto ao Banco Central - foram liberados 160 bilhões de reais para que os bancos mantenham suas operações de crédito. Assim, o governo esperava destravar o sistema financeiro, garantindo os empréstimos a empresas e consumidores.

A medida provisória editada nesta quarta-feira (22/10), entretanto, levantou dúvidas quanto à eficácia dessas ações. Por meio dela, o governo autorizou o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal a comprar total ou parcialmente instituições privadas. Ou seja: abriu caminho para uma possível estatização do sistema bancário brasileiro.

No Brasil, ao menos por enquanto, as instituições estão preferindo adquirir carteiras de crédito, incentivadas pelas medidas do Banco Central. Bradesco, Itaú, Unibanco e Santander foram às compras, mas não informaram quanto investiram nas aquisições nem os nomes dos bancos vendedores. Já a Nossa Caixa comprou as carteiras de três bancos por 2,23 bilhões de reais. E todas as instituições admitem estudar novos negócios.

Afinal, nos momentos de crise sempre surgem grandes oportunidades!

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

CACHORRO PICADO POR COBRA TEM MEDO ATÉ DE BARBANTE...

Você já viveu algum relacionamento que, quando estava em crise, fazia de tudo para poder melhorar o clima e nada funcionava? Sim? Pois é, sabemos que você deve estar se perguntando a razão desse questionamento, já que aqui se fala sobre finanças, e não sobre relacionamentos. No entanto, o problema que acontece hoje nos mercados mundo afora é justamente este, um problema de relacionamento, mais especificamente, de falta de confiança.

Imagine que, em algum momento, você acabou traindo a(o) sua companheira(o) e que, para piorar a situação, ela(e) descobriu. Muito bem. Muito bem nada, muito mal! Agora, além de não querer te ver nem pintado de ouro, ela(e) perdeu completamente a confiança em você. E agora, o que fazer? Você não consegue imaginar a sua vida sem ela(e) e por isso vai à luta, diz que está muito arrependido(a), compra flores (ingresso para o Campeonato Brasileiro), chocolate (cerveja), jóias. Fala que ela(e) é muito importante para você e que fará tudo para reconquistar a confiança dela(e).

E O QUE MERCADO TEM A VER COM ISSO?
Vamos lá, ao longo dos últimos anos os investidores confiaram cegamente na competência dos grandes bancos de investimentos, no poder da economia norte-americana, na forte expansão das economias emergentes, etc. Com o agravamento da crise do mercado subprime, criado dentro desses bancos, o mercado de crédito em geral foi afetado, impactando diretamente a perspectiva acerca do crescimento econômico global. O castelo de cartas ruiu, e assim como aconteceu com a pessoa traída, foi embora a confiança do investidor.

Nas últimas semanas, os governos e bancos centrais mundo afora têm feito de tudo para reconquistar a confiança dos investidores e do mercado interbancário, que, por não conhecer ao certo a saúde financeira dos outros bancos, reduziram seus empréstimos para não ficarem expostos ao risco de inadimplência, mantendo o conhecido “empoçamento de liquidez”

Para citar alguns exemplos, o banco central norte-americano (FED) anunciou um pacote de ajuda no valor de US$ 850 bilhões. Em uma ação coordenada entre os principais bancos centrais do mundo, anunciaram a redução da taxa básica de juros em 0,5 ponto percentual das taxas básicas de juros na tentativa de aumentar a liquidez na economia. Além disso, aumentaram a garantia dos depósitos dos correntistas em caso de falência bancária, sendo que, em alguns países, a garantia chega a 100%.

Por aqui, o banco central (BACEN) já mexeu nos depósitos compulsórios a prazo e à vista, sendo que, só da última vez, anunciou medida que resultará na liberação de R$ 23,2 bilhões aos bancos, visando a redução da desconfiança do mercado acerca da escassez de recursos no mercado interbancário brasileiro. Adicionalmente, deu continuidade ao processo de venda das reservas internacionais para conter a alta do dólar, reduzindo a pressão sobre as empresas endividadas na moeda norte-americana.

CACHORRO PICADO POR COBRA TEM MEDO ATÉ DE BARBANTE...
Pois bem, como cachorro picado por cobra tem medo até de barbante, a estatização de um banco na Islândia foi capaz de mexer com o ânimo dos investidores. Daí, você novamente pergunta:

- Por que, mesmo com tantas medidas, as bolsas não se recuperam?
- Falta de confiança!
- Ok, mas até quando isso vai durar?
- Até o momento em que as medidas tomadas começarem a surtir efeito, reduzindo a desconfiança do consumidor.
- E quando começarão?
- Assim como a tentativa de reconquistar a confiança da(o) amada(o), o tempo dirá. Só há uma observação a fazer (e a favor do mercado): pelo fato da economia ser cíclica, existe a certeza de que a confiança será recobrada, restando a dúvida sobre a duração. Já no caso dos relacionamentos pessoais...

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Pensamento do Dia

"O mercado é um pêndulo que sempre oscila entre o otimismo insustentável (que torna as ações muito caras) e o pessimismo injustificável (que as torna muito baratas)"

Benjamin Graham

Resumo das Instituições afetadas pela crise até agora

Prezados,

Eis um resumo das Instituições que foram afetadas pela crise até agora.

ESTADOS UNIDOS
§ Bear Stearns
- Era um dos maiores banco de investimentos dos Estados Unidos quando foi vendido, no início do ano, ao JPMorgan Chase, em operação coordenada pelo Fed. O Bear chegou perto de ir a falência devido ao seu envolvimento com a crise do crédito imobiliário de alto risco ("subprime") nos EUA, raiz da crise que afeta a economia mundial.

§ Fannie Mae e Freddie Mac - No início de setembro, o governo americano resgatou as duas maiores financiadoras de hipotecas do país, em um acordo que poderá custar até US$ 200 bilhões aos contribuintes do país. Elas possuem quase a metade dos US$ 12 trilhões em empréstimos para a habitação nos EUA.

§ Countrywide Financial - O Bank of America chegou a um acordo para adquirir a financiadora imobiliária por US$ 4 bilhões, em uma operação de troca de ações.

§ Lehman Brothers - O quarto maior banco de investimentos dos EUA pediu concordata em setembro, depois que, sem ajuda federal, não conseguiu fechar a sua venda para nenhuma instituição. Assim, se transformando no primeiro grande banco a entrar em colapso desde o início da crise financeira. Parte dos seus ativos foi vendida ao britânico Barclays.

§ AIG - A seguradora AIG (American International Group) conseguiu uma injeção de US$ 85 bilhões do governo americano para aumentar sua liquidez (crédito em circulação) e evitar a quebra, no mesmo destino do banco de investimentos Lehman Brothers

§ Merrill Lynch - O banco acertou a sua venda para o Bank of America (segundo maior banco dos Estados Unidos), por US$ 50 bilhões, no mesmo dia em que o Lehman Brothers quebrou.

§ Goldman Sachs e Morgan Stanley - Dois dos grandes bancos de investimentos que sobraram nos EUA foram autorizados pelo Fed (Federal Reserve, o BC americano) a se tornarem bancos comerciais. A mudança no status permite que eles criem bancos que poderão tomar depósitos, amparando os recursos de ambas instituições, e tenham o mesmo acesso que outros bancos comerciais aos planos de empréstimo da emergência do Fed.

§ Washington Mutual
- No que foi considerado a maior falência de um banco americano, o Washington Mutual foi fechado pela FDIC (o órgão garantidor de contas bancárias) e a maior parte das suas operações vendida ao JPMorgan Chase por US$ 1,9 bilhão. Com sede em Seattle (Oeste), era o sexto banco americano em ativos. A aquisição criou a maior instituição americana de depósitos e poupança, com mais de US$ 900 bilhões em depósitos.

§ Wachovia - O banco, um dos maiores dos EUA, foi negociado para o Citigroup por cerca de US$ 2,2 bilhões com a assistência da FDIC, que irá absorver as perdas do Wachovia acima de US$ 42 bilhões e receberá US$ 12 bilhões em ações e garantias do Citigroup. Os problemas do Wachovia têm boa parte de sua origem na aquisição da companhia hipotecária Golden West Financial em 2006, por cerca de US$ 25 bilhões, quando o mercado imobiliário ainda estava em um momento de euforia.

EUROPA

§ Northern Rock - O banco britânico foi nacionalizado em fevereiro, sendo um dos primeiros atingidos diretamente pela crise os EUA. O parlamento britânico aprovou uma lei de caráter emergencial que deu ao governo poder para assumir a instituição pelos 12 meses seguintes.

§ UBS - O banco suíço, um dos primeiros e dos mais atingidos pelos efeitos da crise, teve no segundo trimestre deste ano um prejuízo de US$ 328,45 milhões e já cortou 6.000 empregos desde o ano passado. Só em abril, o UBS lançou no seu balanço mais US$ 19 bilhões em prejuízos com os empréstimos imobiliários "subprime" (de alto risco) e foi ao mercado buscar o dinheiro para fechar os rombos.

§ BNP Paribas - O banco francês foi o primeiro afetado pela crise, que deflagrou uma onda de incertezas em agosto do ano passado, quando congelou cerca de 2 bilhões de euros (cerca de US$ 2,73 bilhões) em fundos, citando as preocupações sobre o setor de crédito "subprime" nos EUA --até então, o termo que não ocupava tanto espaço no vocabulário do mercado financeiro.

§ Fortis - O grupo bancário e de seguros belgo-holandês foi afetado por papéis da crise "subprime" --as ações do banco já caíram mais de 70% neste ano. Para devolver liquidez (dinheiro disponível para crédito) ao Fortis, os governos de Holanda, Bélgica e Luxemburgo injetaram US$ 16,4 bilhões no banco, recebendo em troca 49% das ações nos braços nacionais da instituição. No começo de outubro, o BNP Paribas chegou a um acordo para obter o controle de suas atividades bancárias.

§ Bradford & Bingley - O Reino Unido nacionalizou a financiadora de hipotecas e créditos imobiliários, que em dificuldades por conta da crise nos EUA, teve parte das operações assumida pelo Santander.

§ HBOS - O banco britânico Lloyds TSB comprou o Halifax Bank of Scotland, maior credor imobiliário cotado no Reino Unido, por 12,2 bilhões de libras (US$ 22,2 bilhões). Com a fusão, os atuais acionistas do Lloyds TSB ficam com aproximadamente 56% do capital do Lloyds TSB, enquanto os atuais acionistas do HBOS, com 44%.

§ Hypo Real Estate - A instituição alemã, também do crédito imobiliário, obteve US$ 69 bilhões do governo e de um consórcio de bancos para se salvar. O acordo contempla que em até um montante total de 14 bilhões de euros, o Estado assuma 40% e os bancos, 60%, dos riscos que seriam derivados se o HRE tivesse que usar os créditos.

§ Glitnir - Em setembro, o governo da Islândia comprou 75% do terceiro banco local por cerca de US$ 900 milhões.

§ Landsbanki - O governo da Islândia assumiu o controle total sobre o segundo maior banco do país, em uma operação equivalente à nacionalização, para permitir a continuidade das operações comerciais e bancárias. A intervenção ocorre após a Rússia ter concedido à Islândia um crédito de 4 bilhões de euros para ajudar o país a sair da crise financeira que ameaça seu sistema bancário.

§ Dexia - O franco-belga Dexia recebeu uma injeção de US$ 9,2 bilhões da Bélgica, França e Luxemburgo para continuar operando e foi nacionalizado. O Dexia foi fundado em 1996 a partir da junção dos bancos France's Credit Local e Belgium's Credit Communal.

§ Unicredit - O banco italiano anunciou que vai cortar 700 empregos do setor financeiro no próximo ano, como parte do plano de redução de custos decidido depois da crise financeira mundial. Neste ano, o banco já cortou 300 postos de trabalho. O Unicredit foi afetado gravemente pela crise e se viu obrigado a anunciar um aumento de capital de mais de 6 bilhões de euros.

Desafortunadamente, não podemos afirmar com certeza de que a lista parará por aqui!

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

O Mundo irá acabar?

Prezados,

A sensação para quem nunca viveu uma crise é péssima. Na segunda, dia 6-10-08, quando a Bolsa chegou a cair mais de 15% no dia, muitos devem ter pensado: "o mundo irá acabar?"

NÃO! O MUNDO NÃO IRÁ ACABAR! ENTRETANTO...
Teremos um caminho árido para a recuperação do valor dos ativos, leia-se ações! Não por acaso muitas empresas estão se valendo desta "oportunidade" para anunciar programas de recompra.

A impressão que se tem acompanhando o mercado no dia-a-dia é que não há nada e nem ninguém que possa estancar a atual onda de venda desmedida dos ativos. Ontem, por exemplo, não faltaram notícias que poderiam ser a justificativa ideal para o investidor se animar um pouco, ou ao menos parar de se desfazer das ações. Uma das mais importantes foi a decisão do Federal Reserve (Fed, o Banco Central americano) de agora ajudar as empresas, comprando notas promissórias (conhecidas como "commercial papers") emitidas por elas. A interpretação positiva é que o governo dos EUA está disposto a fazer qualquer coisa para amenizar a crise. Sob o ângulo negativo, a mensagem é que, se o Fed está socorrendo não apenas as instituições financeiras, é que os problemas já atingiram a economia real e de forma nada comedida. E foi exatamente essa última versão que os investidores preferiram comprar.

PRUDÊNCIA E CANJA DE GALINHA NÃO FAZEM MAL

Portanto, como apontei acima, qq. noticia é vista pelo "pior" ângulo, uma vez que o MEDO tomou conta dos atores deste mercado. E, pelo visto o mais prudente é seguir sereno em meio a este turbilhão, que como toda tormenta irá passar, estragos ficarão mas serão revertidos, pois, como dizem os mais velhos: "O TEMPO É SENHOR DE TUDO!".

LIÇÕES A RECORDAR...
1. Nunca coloque todos os ovos na mesma cesta! Investidor na Bolsa não investe só em Bolsa!
2. Não venda por pânico! Este é o momento de compra e não de venda!
3. O dólar sempre é afetado pela fuga de capitais, agora não seria diferente....
4. Invista com prudência, e siga sua estratégia de longo prazo, afinal nada se cria, nada se perde, tudo se transforma! (Lavoisier)

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Quer pagar quanto?

Prezados,

O setor de construção sofre com a crise. Mas qual a lógica por detrás disso?

No primeiro semestre, com o agravamento da crise do crédito no exterior, o mercado passou a restringir suas recomendações a companhias mais consolidadas, com presença em diversas regiões do país e um representativo banco de terrenos. Cyrela, Gafisa, Rossi, PDG e MRV pareciam ser então as aplicações mais atrativas.

Recentemente, no entanto, o mercado percebeu que o início do ciclo de aumento dos juros impediria o Brasil de experimentar o tão aguardado boom imobiliário já a partir deste ano. Com a quebradeira de bancos nos Estados Unidos e Europa e o encarecimento do crédito no Brasil, um novo fator surgiu para tornar ainda mais seleto o grupo de bons investimentos: o endividamento. Empresa mais alavancada entre essas cinco incorporadoras, a Rossi passou a ser um péssimo investimento. Suas ações acumulam queda de 76% neste ano, a maior baixa entre todos os papéis que compõem o Ibovespa (principal índice da bolsa paulista).

O desempenho das ações do setor de construção

Empresa

Variação
no ano (%)*

Inpar

-93,6

Abyara

-89,8

Tenda

-86,8

Even

-76,2

Rossi Residencial

-76,0

Trisul

-72,0

Eztec

-69,7

Helbor

-69,4

Klabin Segall

-65,0

Lopes

-61,4

Camargo Corrêa

-61,2

Brascan

-59,1

Tecnisa

-58,6

Company

-58,5

CR2

-52,2

MRV

-47,4

PDG Realty

-45,9

JHSF

-41,4

Agra

-39,8

Rodobens

-38,0

CCP

-33,0

Gafisa

-26,9

Cyrela

-19,3

Fonte: Economática

* No ano, até 29/09/2008


O QUE MUDOU?? RESPOSTA: O CREDITO!!!!!!!!!!

O crédito tornou-se um diferencial porque o aumento das despesas com o pagamento de juros deve ter impacto direto na margem de lucro das incorporadoras. Nesta semana, a Rossi anunciou que faria uma emissão de 40 milhões de reais em debêntures pagando uma taxa equivalente ao CDI mais 3,5% ao ano – acima, portanto, dos juros pagos na emissão anterior. Além disso, os bancos também estão sendo mais criteriosos na liberação de financiamentos para os consumidores - e o reflexo já poderá ser sentido nas vendas de imóveis em setembro.

Esse cenário mais adverso ajuda também a explicar a rápida venda da Tenda para a Gafisa e da Company para a Brascan – em operações em que os controladores não receberam prêmios para deixar o comando dos negócios. O movimento de fusões e aquisições, entretanto, não é sinônimo de alto risco de falência no setor. As empresas do setor admitem uma redução na velocidade de vendas em setembro, mas ainda têm três caminhos para se capitalizar. A primeira delas é pela diminuição de lançamentos, que reduz a necessidade de crédito. A segunda é com a venda de terrenos e outros ativos. Por último, também é possível realizar aumentos de capital com a busca de novos parceiros.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Senado dos EUA aprova pacote

O Senado dos Estados Unidos aprovou na noite desta quarta-feira (1º) o plano de resgate dos mercados apresentado pelo governo Bush. A proposta, que prevê ajuda de US$ 700 bilhões a bancos em dificuldades no país, havia sido rejeitada na segunda-feira (29) pela Câmara. Por isso, sofreu algumas mudanças.

De acordo com informações preliminares, 74 senadores voltaram a favor do resgate aos bancos, enquanto 25 se posicionaram contra o projeto. A votação ocorreu por volta das 22h20 desta quarta-feira. Agora, a proposta volta para a Câmara, onde será provavelmente votada na sexta-feira (3).

A aprovação foi resultado de uma campanha de pressão que envolveu o presidente norte-americano George W. Bush, o secretário do Tesouro, Henry Paulson, e o presidente do Federal Reserve (o BC dos EUA), Ben Bernanke. Além destes, os candidatos à Presidência dos EUA, Barack Obama (Democrata) e John McCain (Republicano) também manifestaram seu apoio à proposta.

Presentes à sessão, os senadores Obama e McCain votaram, conforme previsto, favoravelmente à proposta. Segundo analistas, a adição de incentivos ao cidadão americano comum ajudou a convencer os senadores da importância da ajuda aos bancos em crise.

Pressão internacional
A pressão pela ajuda aos bancos nos EUA também ganhou contornos internacionais.Autoridades financeiras da Europa fizeram um apelo nesta quarta-feira para que o Senado dos Estados Unidos aprove a proposta revisada de resgate do setor financeiro.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Análise Gráfica IBOV - 29/09/2008

Analise Grafica da BOLSA em 29/09/08

Segunda-Feira DRAMÁTICA

Prezados,

Apesar dos líderes partidários norte-americanos terem trabalhado o final de semana todo em torno de um consenso sobre o pacote bilionário de socorro do governo ao sistema financeiro, a Câmara dos Deputados do país jogou o esforço no lixo ao não aprovar as medidas em sessão nesta tarde, promovendo uma faxina nos ativos financeiros.

As bolsas despencaram pelo mundo, embora apenas do lado de cá do Atlântico a notícia tenha surtido efeito. A Bovespa chegou a acionar o circuit breaker ao cair mais de 10%, interrompendo suas negociações por 30 minutos.

O Ibovespa caiu 9,36%, na maior queda porcentual desde 14 de janeiro de 1999, quando havia espencado 9,97%. Perdeu 4.754,93 pontos durante o pregão, para fechar em 46.028,06 pontos.

Oscilou entre a mínima de 43.766 pontos (-13,82%) e a máxima de 50.473 pontos (-0,08%). No mês, acumula perdas de 17,33% e, no ano, de 27,95%. O giro financeiro somou R$ 5,766 bilhões, considerado fraco perto do que se viu na sessão, uma vez que muitos investidores ainda estão na defensiva. As informações são preliminares.

Exterior

Em Wall Street, os índices fecharam na mínima pontuação do dia. O Dow Jones perdeu 6,98%, aos 10.365,45 pontos, o S&P recuou 8,79%, para 1.106,42 pontos, e o Nasdaq tombou 9,14%, para 1.983,73 pontos. As informações são preliminares.

O pacote de ajuda bilionária ao sistema financeiro encontrou resistências no Congresso ao longo da última semana, o que levou os parlamentares a passarem o final de semana para buscar o consenso.
Ontem, ele veio, embora as críticas continuassem pipocando. Mas, apesar disso, ninguém previa que a Câmara rechaçaria o acordo visto que, ruim com ele, pior sem ele.

Fuga de capital

Na Bovespa, houve fuga de capital de todas as naturezas. Além da fuga dos investidores, também teve movimento de stop loss, que, segundo ele, pode continuar amanhã, quando as pessoas físicas assistirem o noticiário do dia caótico de hoje.

No pior momento do pregão, as ações da Petrobras e da Vale, as blue chips do pregão, derreteram mais de 15%. Mas não foram as maiores perdas do Ibovespa, que ficaram com Rossi Residencial (-21,06%) e BM&FBovespa (-20,22%). Nenhuma ação do Ibovespa fechou em alta hoje.

Para amanhã, o cenário pode se repetir, mas com menos vigor. O lado bom do cenário de hoje é que o governo dos EUA terá que fazer um novo plano, que pode ser melhor do que o que foi rejeitado hoje.

domingo, 28 de setembro de 2008

P de Preju no S da SADIA!

Prezados,

Sexta foi mais um dia de tensão no ar, com a indefinição do pacote de socorro nos EUA associada à quebra de mais um banco (Washington Mutual Funds) e do prejuízo financeiro anunciado pela SADIA.



O QUE ISTO DEMONSTRA
Seguimos com forte variação de humor, o que, repito, aos que possuem visão de investidor a longo prazo pode vir a ser uma boa oportunidade de compra.

S de SEM NOÇÃO DA SADIA
No mínimo lamentável o episódio, o que demonstra que precisa rapidamente rever sua estrutura de controle interno, afinal como é possível perder o lucro líquido de um ano inteiro em uma jogada financeira?

IMPACTOS PARA SADIA
Muitos bancos já reviram sua recomendação de compra, para baixo, estimando seu preço justo em R$ 9 a R$ 11.

De qualquer forma, bem acima dos cerca de R$ 6 que fecharam na sexta passada, dia 26 - setembro - 08

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Crise Financeira: Problema ou Oportunidade? Tire suas conclusões...

Prezados,

A forte oscilação dos papéis em bolsa deste mês de setembro traz um risco considerável para o investidor que quer sair do mercado, mas também uma oportunidade razoável para quem quer entrar. A maioria das ações que faz parte do Índice Bovespa, que reúne os papéis mais negociados na bolsa paulista, bateu o fundo do poço deste ano neste mês. Das 66 ações que compõem o índice, 41 tiveram a cotação mínima do ano em setembro. Mas, depois de bater a mínima, a maioria se recuperou com força.

É o caso, por exemplo, da Petrobras, cuja ação ordinárias (ON, com voto) chegou a subir 28,41% e a preferencial (PN, sem voto), 28% até ontem. No mesmo período, o Índice Bovespa, que bateu a mínima de 45.294 pontos também em setembro, subiu 10,04%, para os 49.842 pontos de ontem.

Isso significa que o investidor que se apavorou no pior momento do mercado e vendeu suas ações de Petrobras perdeu quase 30%. Ao mesmo tempo, quem teve sangue frio e comprou no auge da turbulência já teria ganho o equivalente a duas vezes o juro básico da economia, a Selic, hoje em 13,75% ao ano, em poucas semanas.

A menor oscilação ocorreu nos papéis que já tinham sofrido muito ao longo do ano, caso da Gol, cuja ação ON apanhou com a alta do petróleo no primeiro semestre e se recuperou a partir de maio quando as commodities começaram a cair. Na crise de setembro, o papel recuou menos, e já recuperou 2,07% até ontem. Outra na mesma situação foi Pão de Açúcar, que bateu a mínima antes de setembro e se recuperou, voltou a cair este mês e acumula alta agora de 2,74%.

Houve também papéis que caíram em setembro e não conseguiram se recuperar por fatores econômicos, caso das empresas de varejo, prejudicadas pela alta dos juros locais e pela perspectiva de maior aperto no crédito. Lojas Renner subiu desde a mínima de setembro — também a mínima do ano — 3,38% e Lojas Americanas, 3,35%. A Vale foi uma das vítimas das commodities e do plano de comprar outra empresa no exterior. O papel PN série A bateu a mínima este mês e conseguiu recuperar apenas 6,55% até ontem (23/09/08).

Vale dizer que os indicadores de desempenho das empresas se apresentam mais atraentes para o investidor, caso da relação Preço/Lucro (P/L) das empresas, que caiu acompanhando o preço das ações. Como ele dá uma indicação do prazo de retorno do investimento, quanto menor, melhor. A Petrobras, apesar da recuperação deste mês, ainda está com P/L de 11,5 vezes, para 18 do fim de 2007.

Das 20 ações do Ibovespa que se recuperaram com mais força este mês, 11 estão com P/L abaixo de 10. Nas que subiram menos desde o piso de setembro, oito também têm P/L de um dígito.

Não por acaso, as empresas costumam anunciar recompra de seus papéis, como fez a Microsoft. Afinal, fazia tempos que os papéis não estavam tão baratos!

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Como dizia São Tomé....

Prezados,

Não restava dúvida de que o mercado aprovaria o socorro total e irrestrito do governo americano aos bancos que estão em maus lençóis, com o megapacote de US$ 700 bilhões anunciado no fim-de-semana. No entanto, bastante calejados pelos tombos das bolsas nesta crise financeira, os investidores reagiram como São Tomé, preferindo esperar ver o pacote aprovado pelo Congresso para só depois cantar vitória. O Índice Bovespa chegou a subir na abertura, mas não resistiu às acentuadas quedas dos principais índices da Bolsa de Nova York e acabou fechando em baixa de 2,86%, aos 51.540 pontos.


Os investidores estão receosos com relação a vários pontos do pacote. O primeiro deles é se as medidas serão realmente aprovadas pelos congressistas. Eles se mostram bastante consternados com a situação caótica do mercado financeiro do país, mas dificilmente perderão a oportunidade de tirar uma casquinha do governo em troca de dizer sim ao socorro dos bancos.


Outro temor e o mais importante, é a dificuldade operacional de se colocar o pacote em prática. O governo, provavelmente na figura do Tesouro ou do Federal Reserve (Fed, o Banco Central americano), terá de sentar com cada um dos bancos para definir todos os detalhes do socorro. Por exemplo, quantos títulos irá comprar da instituição financeira, a que preço, de qual forma, em qual data etc, etc, etc.

O grupo de bancos que se rendem à benevolência do governo dos EUA aumenta a cada dia. Os últimos adeptos foram os gigantes Morgan Stanley e Goldman Sachs que abandonaram a charmosa placa de banco de investimento para entrarem no mundo bem mais comum dos bancos comerciais. A vantagem é que passam a ter direito às generosas linhas de financiamento do Fed, mas em troca terão de se submeter às regras muito mais severas dispensadas a esse tipo de instituição. Nos EUA, os bancos de investimentos são um bicho à parte, com regras bem mais flexíveis e fiscalização idem.

Não sobram críticas da postura leniente das autoridades americanas sobre a atuação desses bancos e do mercado de "hedge funds". Uma comparação rápida mostra a gravidade da situação. Na época da desvalorização do real ante o dólar, em 1999, o Brasil fechou um pacote de ajuda com o Fundo Monetário Internacional (FMI) em torno de US$ 40 bilhões, enquanto o socorro americano será de US$ 700 bilhões, sem contar todo o caminhão de dinheiro que o governo já despejou no mercado desde que a crise hipotecária deu os seus primeiros sinais, no início do segundo semestre do ano passado.

Commodities

As commodities tiveram um dia de importantes valorizações. O contrato futuro mais líquido do petróleo do tipo WTI, negociado em Nova York, subiu apenas ontem nada menos que US$ 16,37, fechando em alta de 15,66%, em US$ 120,92. Este é o maior ganho diário da commodity desde 1984. A escalada dos preços, que poderia ter um motivo saudável, como a percepção de que a desaceleração da economia global será mais leve do que se imagina, ocorreu pelo movimento de investidores fugindo do dólar em busca de ativos reais como o petróleo e o ouro.

Prova disso é que as ações preferenciais (PN, sem voto) da Petrobras caíram 0,22%. Os papéis também sofreram com o tiroteio de informações desencontradas sobre uma nova operação de venda das ações da estatal com o uso do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). No domingo, o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, confirmou a compra de papéis com o FGTS. Ontem, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o próprio presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, negaram veementemente que o governo esteja estudando fazer a operação. Lupi então tentou se despir da saia justa em que se encontrava ao dizer que falava apenas hipoteticamente sobre o negócio.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

IPO da VisaNet confirmada

Prezados,

uma dos IPOs (Initial Public Offers) mais esperadas dos últimos tempos ficou, na última sexta-feira (29), mais perto de se tornar realidade. Após muita especulação no mercado, a VisaNet finalmente entrou com o pedido de análise de oferta na CVM (Comissão de Valores Mobiliários).

Um prospecto inicial da operação já foi divulgado, embora a autarquia ainda tenha que conceder oficialmente o seu aval.

Ainda que o ambiente nos mercados não seja nada favorável, a expectativa é de que a oferta da VisaNet se classifique como uma das maiores da história da bolsa brasileira - senão a maior.


De olho nas perspectivas otimistas que rondam a companhia e seu setor de cartões de pagamento, investidores já começam a se interessar pelo IPO. Todavia, a operação deve ter muitos outros beneficiários, dois principais deles, o Bradesco (
BBDC4) e o Banco do Brasil (BBAS3).

ESTRUTURA ACIONARIA
Analisando a estrutura societária da VisaNet, é evidente o peso do Bradesco e do Banco do Brasil em seu capital: 39,258% e 31,629%, respectivamente. Ambos serão acionistas
vendedores da oferta, que devido ao seu caráter secundário, não concederá à companhia quaisquer recursos decorrentes da emissão de papéis no mercado.

"Os acionistas vendedores receberão todos os recursos líquidos resultantes da venda das ações objeto da oferta, inclusive caso haja emissão de ações adicionais ou o exercício das opções de ações suplementares", nas palavras do próprio comunicado enviado pela empresa. Confira abaixo a estrutura societária da VisaNet:

Acionistas Participação no capital
Bradesco 39,258%
BB Invest 31,629%
Banco Real 14,221%
Visa International 10,000%
Outros 4,892%


TROCANDO EM MIÚDOS
Tanto o Bradesco quanto o Banco do Brasil têm muito a ganhar com a realização do IPO da VisaNet.

De fato, não é a primeira vez que as instituições financeiras tiram proveito de ofertas de ações, sendo tal estratégia relativamente comum no setor bancário.O Banco do Brasil, por exemplo, teve seu desempenho do primeiro trimestre desse ano acrescido por um lucro de R$ 98 milhões, decorrente da venda de participação que detinha nas ofertas de ações da Bovespa Holding e da BM&F S.A.

Os ganhos com o IPO da Visa International nos EUA foram ainda maiores: R$ 362 milhões, devidamente contabilizados no segundo trimestre desse ano.

GANHOS POR VIR
Portanto, a realização do IPO da VisaNet significa expressivos ganhos por vir nos próximos resultados do Bradesco e do Banco do Brasil, provavelmente a serem contabilizados nos primeiros meses de 2009, uma vez que a estréia das ações ofertadas deve se dar no último trimestre desse ano.Há quem estime que se o BB e o Bradesco venderem a mesma participação que o Itaú e o Unibanco venderam na Redecard, eles poderão apresentar ganhos extraordinários que ultrapassam R$ 1 bilhão, o que corresponde a metade de seus últimos resultados trimestrais.

MAS ATENÇÃO À TEMPORALIDADE
No entanto, cabe destacar que tais ganhos são, por definição, não-recorrentes. Isto é, são lucros extraordinários, e que, portanto, não refletem uma melhora mais sólida nos fundamentos ou atuação das instituições. Ainda assim, quaisquer referências positivas em um setor que já recebe projeções otimistas por parte dos analistas são sempre bem-vindas.

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

IPO da VISANET vêm aí!!

Prezados,

A Visanet, empresa que faz o credenciamento de estabelecimentos comerciais para a bandeira Visa, dará na próxima segunda-feira, dia 25, o primeiro passo para a listagem de ações na Bovespa.

Nesse dia, os acionistas da empresa se reunirão em assembléia para autorizar a apresentação de pedido de registro de companhia aberta à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

A operação da empresa é aguardada pelo mercado desde que a concorrente Redecard lançou ações, há um ano.

Segundo o diretor executivo de finanças e administração da Visanet Brasil, Vitor Fabiano, a convocação foi efetuada para que sejam criadas condições prévias e para que a empresa esteja pronta para a oferta inicial de ações, caso venha a ser definida pelos acionistas.

Uma vez que o pedido da Visanet ingresse na CVM, a operação deve permanecer em análise por pelo menos um mês. O mercado não sabe estimar se a oferta será realizada neste ano, pois dependerá da janela de oportunidade.

Apesar da instabilidade dos mercados, é possível dizer que a distribuição tem sinalização muito positiva. Em março passado, período nebuloso para o mercado de capitais, diante da crise de crédito internacional, a Visa fez a maior operação inicial de venda de ações nos Estados Unidos, com volume recorde de US$ 17,86 bilhões.

Bradesco e Banco do Brasil devem se beneficiar
É provável que a operação de Visanet pode ser um fator a impulsionar as ações do Bradesco e do Banco do Brasil, que possuem fatias de 40% e 32%, respectivamente, na empresa. Os papéis devem se beneficiar tanto do valor que o mercado atribuir à Visanet, quanto da venda de ações em uma eventual oferta secundária, em que os recursos vão para os acionistas.

A corretora do Itaú assumiu múltiplos para a Visanet semelhantes aos de Redecard, com preço/lucro (P/L) estimado para 2008 de 21,5 vezes e crescimento de receita de 21%. A corretora calculou valor de mercado de R$ 23 bilhões - o da Redecard é de R$ 20 bilhões. Na assembléia, os acionistas também aprovarão a conversão das ações ON, hoje divididas em A e B, em uma classe única de ordinárias.

Fiquemos atentos!

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

SAIBA RECONHECER UMA AÇÃO EX!

Prezado(a)s,

Uma dúvida muito comum entre investidores é sobre as correções de preço que uma ação pode sofrer na Bolsa.

Muito investidores gostam de ações que pagam bons dividendos, muitas empresas definem pagamentos regulares de Juros sobre Capital Próprio (JCP) e/ou Dividendos para entrar na mira destes investidores.

Porém, quando a empresa paga efetivamente o JCP ou Dividendo, o último preço de fechamento de suas ações é ajustado para baixo, descontando o valor pago. O novo preço de fechamento teórico é chamado de preço EX.

Há vários eventos que podem gerar correções teóricas de preços históricos, ou preços EX.

As mais comuns são:

- Bonificação: Ocorre sempre que uma empresa distribui ações aos acionistas para ajustar diferenças de patrimônio líquido. Como o valor de mercado da empresa não muda, mas o número de ações em circulação sim, o preço da ação deve ser ajustado teoricamente.

- Dividendo ou Juros sobre Capital Próprio: Embora sejam dois eventos diferentes, o efeito prático no preço das ações é o mesmo. Se uma ação fechar em uma sexta-feira cotada a R$ 100 / ação e pagar um Dividendo ou JCP de R$ 1 / ação ao acionista, na segunda-feira o preço teórico do último fechamento será de R$ 99 / ação (100 - 1).

- Subscrição: Se a empresa faz uma chamada de capital aos acionistas, ou seja, distribui novas ações no mercado e aumenta o seu patrimônio líquido, o preço destas novas ações deve sempre ser menor do que o preço de mercado. Isto faz com que um ajuste teórico seja necessário para equalizar os preços de todas ações (novas e antigas) em uma mesma cotação.

- Grupamento: Muitas vezes o preço de uma ação fica muito baixo, na casa de centavos, e dificulta análises e operações de maior volume. Neste caso, a empresa normalmente agrupa várias ações antigas e troca por apenas 1 ação nova. Assim, um investidor que possuía 1.000 ações desta empresa, após um grupamento de 500 para 1 por exemplo, terá apenas 2 ações, ou 1.000 / 500. Só que o valor financeiro que ele possuía não pode mudar, então o que muda é a cotação da ação, que neste caso vai subir bastante.

- Desdobramento: é o inverso do Grupamento. Ações de empresas sólidas que se valorizam muito na bolsa acabam ficando caras demais, a ponto de perder compradores simplesmente porque eles não têm dinheiro para comprar um lote mínimo de 100 ações. Quando isto ocorre, as empresas podem desdobrar 1 ação em várias, mas normalmente em 2 ações. Assim, um desdobramento de 1 para 2 faz com que o preço da ação caia pela metade, uma vez que dobra o número de ações em posse dos acionistas.

UM CASO PRÁTICO – PETROBRAS (PETR4)
A ação preferencial de Petrobras - PETR4 - fechou cotada em 25/04/2008 a R$ 84,30 / ação.

Com isto o lote padrão de 100 ações de PETR4 custava R$ 8.430, caro demais para vários investidores pequenos.

A empresa definiu em comunicado ao mercado que iria dobrar o número de ações em circulação por meio de um Desdobramento a partir de 25/04/2008. Sendo assim, quem tinha 1 ação passou a ter 2.

Um investidor desavisado poderia achar que a sua posição acionária tinha dobrado, mas longe disso, a posição acionária de todos os acionistas ficou igual.

O patrimônio líquido da empresa também continuou igual, então o que mudou?

Resposta: A Cotação.

Uma pessoa que tinha comprado 100 ações de PETR4 no fechamento de 25/04/2008 por R$ 8.400, acordou em 28/04/2008 com 200 ações, mas continuou com os mesmos R$ 8.400 em custódia. Para isto ser possível a Bovespa aplicou um cálculo a última cotação de fechamento de R$ 84,30 e modificou-a para R$ 42,15, ou 84,30 / 2. O primeiro negócio do dia 28/04/2008 saiu pela cotação de R$ 42,58 / ação, ou uma alta de 1% sobre o fechamento teórico anterior de R$ 42,15 / ação.

Pelo exemplo acima conseguimos ver que o desdobramento foi positivo para as ações da Petrobras, pois realmente atraiu mais investidores e fez com que isto criasse valor as acionistas.


MAS E O GRÁFICO DA AÇÃO?
É importantíssimo que o investidor que usa a Análise Gráfica fique atento aos preços EX, pois sempre que uma cotação é ajustada teoricamente, não é apenas o último fechamento que é afetado, mas sim todo o histórico da ação.

Lembrando que muitos indicadores dependem do preço para serem calculados, então um gráfico de preço errado vai levar a um gráfico de indicador errado. Óbvio que isto fará com que a tomada de decisão sobre compra ou venda sairá errada.

BON$ INVE$TIMENTO$!

terça-feira, 5 de agosto de 2008

A QUEDA DA BOLSA

Prezados,

Abaixo reproduzo o texto interessante, que saiu hoje no Jornal O GLOBO, escrito por Ilan Goldfajn (ex-diretor do BACEN e atualmente sócio da Ciano Investimentos)....

A queda da bolsa
O investidor sofre com os altos e baixos da bolsa de valores. Na realidade gosta dos altos, sofre mesmo é com os baixos. O problema é que os baixos estão dominando nos últimos meses. O índice da Bolsa de Valores (Ibovespa) já caiu mais de 20% desde que atingiu o seu auge em meados de maio, quando o Brasil recebeu o grau de investimento das agências de classificação de risco. No acumulado do ano a queda é de 12%.

Outras bolsas caíram ainda mais. A da Índia caiu 28%, China, 48%, e a da Rússia, 17%. Nos países desenvolvidos, a queda foi de 21% na Alemanha, quase 15% nos EUA (S&P), 35% na França, e, na Inglaterra, 17%.

O que está acontecendo?
É pura volatilidade dos mercados ou um sinal relevante de preocupação pelo que vem pela frente no mundo? Por algum tempo, acreditava-se que haveria uma saída benigna para a crise americana. A economia americana não sofreria tanto e as economias emergentes efetivamente se descolariam dos problemas nos EUA. E, por enquanto, os dados econômicos ainda são bons: a economia dos EUA cresceu 1,9%, no último trimestre, e as economias emergentes crescem ainda num ritmo forte. Mas cresce a percepção que chegamos ao final do ciclo de prosperidade dos últimos anos. Numa recente entrevista, o ex-presidente do Fed (Banco Central dos EUA), Alan Greenspan, após passar 20 anos no cargo, e conhecido pela sua capacidade de analisar os dados econômicos, afirmou que os EUA estão à beira de uma recessão, e que os problemas imobiliários estão longe de serem resolvidos. Descreveu a crise financeira atual como algo que acontece apenas uma vez em cada cem anos.

Não há consenso sobre o que aflige o mundo.
Alguns acreditam que o mundo está crescendo rápido demais, já que a oferta de matéria-prima não consegue acompanhar esse ritmo, o que eleva os seus preços, em especial o petróleo, e gera inflação no mundo. O economista Ken Rogoff, professor de Harvard, num artigo no Financial Times, recomenda aos países desacelerarem as suas economias para evitar o pior. Isto significa apertar a política monetária (subindo os juros), nas economias emergentes, e que os países industriais (leia-se EUA) parem de estimular a sua economia com pacotes econômicos, que só vão adiar a solução final: o mundo precisa de uma desaceleração pronunciada.

Outros, como o economista Paul Krugman, professor de Princeton e colunista do The New York Times, acreditam que o risco é de uma recessão global, e que os EUA estão certos em tentar evitar o pior baixando os juros e segurando a economia com pacotes fiscais que estimulam o consumo. Somando as preocupações, teríamos, de um lado, a crise financeira nos EUA levando a uma recessão e desaquecimento global. De outro, o excesso de demanda, continuando a elevar o preço das commodities e provocando inflação no mundo.

Acho difícil acreditar que estamos fadados simultaneamente a uma inflação galopante no mundo e a um desaquecimento global de magnitude não vista anteriormente. Num cenário, a aceleração da inflação levaria os bancos centrais a apertar a taxa de juros, para, só depois de alguns meses, levar a uma desaceleração.

Alternativamente, poderia ocorrer uma desaceleração imediata, levando à queda dos preços das commodities, o que ajudaria no combate à inflação. Não haveria estagflação no mundo. Ou bem a inflação é um problema que será combatido pelos bancos centrais, o que levaria a uma estagnação depois de alguns meses (dadas as defasagens normais da ação dos bancos centrais), ou a estagnação chegou mais cedo, exercendo pressão baixista sobre os preços, e a inflação não será um problema tão grave no mundo.

De qualquer forma, ambas as visões antevêem o fim do ciclo de prosperidade dos últimos anos. O fim do ciclo não é equivalente ao fim do processo. Após uma desaceleração cíclica, espera-se que os fatores estruturais continuem a impulsionar a economia mundial. Há ganhos de produtividade que vieram para ficar, como os advindos da internet e da informatização dos processos, que precisam ainda espalhar-se pelo mundo. A incorporação de centenas de milhões de pessoas na Ásia (China, Índia e outros) à economia mundial deve continuar a impulsioná-la e mudar a face do desenvolvimento mundial.

Um período de retração mundial apenas permitirá uma folga para que a oferta de matérias-primas se recomponha, a reboque dos investimentos que estão fluindo para esses setores.

E qual é a conseqüência desse cenário para o Brasil e para as empresas brasileiras?
Até o momento a economia brasileira foi beneficiada por algumas características específicas da crise - subida dos preços das commodities e juros extremamente baixos nos EUA -, mas isto pode estar mudando. Uma desaceleração global mais pronunciada inevitavelmente reduziria o preço das commodities no mundo, reduziria o valor e o volume de exportações brasileiras e afetaria o crescimento do Brasil.

Todos esses fatores exercem pressão negativa sobre o valor das empresas na bolsa. A queda da bolsa de valores no Brasil está sinalizando que os investidores estão crescentemente preocupados com o cenário de desaceleração global e queda do preço das commodities.

Nesses momentos é bom considerar o médio e longo prazo. O padrão de crescimento global tem favorecido o Brasil, e deve continuar a fazê-lo. Na medida em que há uma tendência, ao que tudo indica irreversível, de incorporação à economia de mercado de contingentes populacionais expressivos na China e Índia, o mundo continuará precisando de alimentos, água, petróleo, energia alternativa, minerais e outras commodities.

Países, como o Brasil, que têm abundância relativa desses fatores podem continuar a beneficiar-se. Basta não desperdiçar esta oportunidade, investindo na infra-estrutura e na educação da sua população.