quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

O QUE ESPERAR DE 2009?

Prezados,

O ano de 2008 não deve deixar muita saudade para os investidores, mas provavelmente entrará para a história econômica como o de uma das mais graves crises desde o CRASH de 1929, tornando-se, sem dúvida, objeto de grande interesse por parte dos economistas. Muitos ícones do capitalismo mundial sucumbiram e muitos outros chegaram perto do abismo, sendo salvos por ações incisivas de resgate pelos principais governos do mundo desenvolvido.

A crise mundial encontrou um Brasil crescendo em ritmo forte, estimulado por altos preços de matérias-primas, grandes fluxos de investimentos, consumo doméstico em forte expansão, criação recorde de empregos e taxas de juros nominais historicamente baixas para o padrão recente da economia brasileira. O colapso do sistema bancário das principais economias e a contração de crédito serão um divisor de águas para a economia do Brasil. O súbito estancamento do crédito produziu um tombo nos preços das principais matérias-primas exportadas pelo Brasil, afetou a nossa taxa de câmbio ao reduzir as linhas de comércio e restringiu a oferta de financiamento doméstico, com reflexos mais significativos naqueles setores que mais dependem do crédito, como bens duráveis e construção civil.

O QUE VIRÁ EM 2009 ENTÃO?
O desempenho da economia brasileira em 2009 estará condicionado pela evolução da crise global e, neste sentido, os sinais não são nem um pouco alentadores. O colapso bancário nas principais economias produzirá talvez a mais forte recessão do pós-guerra, o que terá impacto nefasto sobre os preços das matérias-primas, sobre os investimentos e fluxos de capitais. A queda na demanda mundial e, por tabela, nos preços das matérias-primas, afetará a agricultura e mineração, entre outros setores. A escassez de crédito comprometerá o desempenho dos setores de bens duráveis e construção civil, além dos investimentos. Por todos esses efeitos os países ao redor do globo continuarão sofrendo o forte impacto da crise.

O próximo ano, portanto, será muito diferente do que vimos até agora.

O crescimento econômico será seriamente afetado e deverá cair substancialmente em relação aos últimos dois anos, talvez ficando muito abaixo das atuais projeções feitas pelo mercado financeiro.

É provável até que tenhamos dois trimestres seguidos de queda no PIB. Teremos menos geração de emprego e menor crescimento de renda. A tendência da inflação também está envolta em grande incerteza.

Se por um lado a alta do dólar exercerá fortes pressões nos preços, por outro lado, vários fatores baixistas estão ganhando dimensão. Primeiro, a forte queda observada nos preços das matérias-primas; segundo, a retração na economia mundial deverá produzir efeitos deflacionários; terceiro, o dólar se valorizou em relação às moedas de nossos principais parceiros econômicos, o que dilui os efeitos da depreciação do real; e por último, a economia brasileira verá seu ritmo de crescimento ser fortemente afetado, com notável enfraquecimento da demanda.

Assim, é provável que o processo de aperto monetário iniciado no segundo trimestre deste ano já tenha chegado a seu fim!

Um comentário:

Daniel Gomes disse...

Eu ainda acredito que o Brasil continuará crescendo, apesar de não tanto quanto em 2007 e 2008. Mas gente, já passamos por coisa muito pior! Ou vocês se esqueceram do ano de 2-003, onde o crescimento foi quase 0%? 2009 pode ser um ano chato, mas vai passar rápido. Afinal, o Brasil está muito mais forte!