terça-feira, 24 de outubro de 2006

Você sabe investir ou acaba se descapitalizando?



Quando você compra um carro zero último tipo está ficando mais rico? E se troca de apartamento? Quando deixa seu apartamento de três quartos rumo a uma cobertura de frente para a praia de Ipanema, está aumentando seu patrimônio?

Seu cunhado aposta que sim. E você e sua família também acreditam firmemente que o patrimônio está aumentando. Mas enganar seu cunhado pode até ser divertido. No entanto, enganar a si mesmo é uma outra história, bem mais perigosa.


O fato é que apartamentos costumam drenar recursos de manutenção, condomínio, entre outras despesas, e para saber se ele ajuda a aumentar ou reduzir seu patrimônio é fundamental fazer contas. O mesmo vale para o carro, jóias e muitas outras compras que você jura que são investimento.

O professor Ladislau Dowbor, que assina a apresentação a edição brasileira do livro "Os Novos Indicadores de Riqueza", editado no Brasil pela Editora Senac, diz que não basta avançar, é preciso saber para onde. Dowbor não está falando do seu apartamento, mas de como os países contabilizam sua riqueza. No livro, de Jean Gadrey e Florence Jany-Catrice, há uma discussão profunda de como estão sendo medidos os progressos econômicos, sociais, ambientais e tudo o que converge para medir se, afinal, as pessoas estão vivendo melhor com o crescimento econômico dos países.

Dowbor cita no prefácio o exemplo da Arábia Saudita, que normalmente é apresentada como país de alta renda, mas está vivendo à custa de reservas de petróleo que se esgotam rapidamente. "É valido dizer que o país tem um PIB elevado?", questiona. "Podemos fazer nossa família se sentir mais rica momentaneamente ao vendermos os móveis da casa, mas na realidade não estamos enriquecendo, estamos nos descapitalizando", diz.

Há um movimento de economistas e outros estudiosos que querem derrubar a ditadura do Produto Interno Bruto (PIB), principal indicador aceito internacionalmente como indicador de riqueza de um país. A principal crítica é de que o PIB contabiliza gastos que na verdade aumentam o consumo, mas não necessariamente a riqueza de um país.

Na semana passada, no II Seminário Novos Indicadores de Riqueza, o tema foi amplamente discutido. Os estudiosos dizem que o PIB, assim como você, contabiliza todos os gastos como investimento. No entanto, destruição ambiental, gastos com armas, por exemplo, não contribuem em nada para aumentar a riqueza de um país e o bem-estar de seus cidadãos.

Segundo o professor José Eli da Veiga, num artigo publicado no caderno Eu & Cultura de sexta-feira, " quando um processo produtivo se baseia essencialmente na exaustão de recursos naturais, o PIB registra aumentos excepcionais, pois seus fundamentos metodológicos não prevêem qualquer dedução que reflita a depreciação do capital natural".

Da mesma forma, prestações de carros, casas e tantas outras despesas que você jura para si mesmo que está aumentando seu patrimônio podem na verdade estar descapitalizando sua família e, o que é pior, aumentando o desgaste nas relações familiares. No longo prazo isso poderá ser uma armadilha. Sabe por que? Porque tanto você como seu filho vão viver muitos anos. Dessa forma, se não cuidar de ter um patrimônio suficiente para financiar sua vida quando estiver com seus 80 e poucos anos, talvez tenha de dividir o apartamento com um senhor de 60 e outro de 40, seu filho e neto. Certamente não será mais a cobertura de Ipanema.

A propósito, para saber se está aumentando seu patrimônio você tem de fazer regularmente a "marcação a mercado" de seu patrimônio. Esta é única forma de saber qual o tamanho real do seu patrimônio e, principalmente, se ele está crescendo ou não ao longo do tempo. Marcação a mercado é um termo técnico utilizado no mercado financeiro que diz basicamente o seguinte: por quanto eu consigo vender tudo o que eu tenho.

Ah! Mas você nem pensa em se desfazer do apartamento, quer morar nele por toda a vida? Não importa. Ainda assim você precisa saber periodicamente quanto ele está valendo. Caso contrário, poderá ter surpresas desagradáveis no futuro quando precisar ir até o mundo real e descobrir que você pode até dar muito valor ao seu patrimônio, mas o mercado não.

Fonte: http://www.valoronline.com.br//valoreconomico/285/eueinvestimento/49/A+grande+diferenca+que+ha+entre+investir+e+se+descapitalizar,,,49,3963185.html

Um comentário:

Leitão disse...

Otimo artigo!
Gosto muito do tema "Independencia Financeira"...
Se tivesse estudado mais sobre isso ainda na faculdade, hoje estaria $tanquilo.. rsss

Grande abraço e parabens pelo otimo Blog!

Leitão
http://leitaoemacao.blogspot.com