segunda-feira, 4 de agosto de 2008

A diferença no balanço da Vale

Prezados,

Segue matéria do jornal VALOR de hoje apontando a expectiva de alguns analistas quanto aos números a serem divulgados pela VALE no próximo dia 06/agosto.

Os papéis da Vale do Rio Doce podem estar dando vexame na bolsa, mas analistas de grandes bancos como Merrill Lynch, Goldman Sachs e BES Securities estão prevendo lucro recorde para a companhia no segundo trimestre.

A alta de 65% no preço do minério de ferro e de 87% no valor das pelotas de minério, que foram incorporados neste trimestre aos contratos, foram citados pelos analistas como fatores que contribuiriam para elevar bastante a receita de ferrosos, estimada entre US$ 11 bilhões e US$ 12 bilhões no período, a ponto de anular o impacto da queda de 11% do preço do níquel. Os ferrosos representam 45% da receita da Vale.

Mas pode haver surpresas embutidas nos números financeiros, por conta de perdas com contratos de "hedge" em metais como cobre, níquel e alumínio. No primeiro trimestre, a mineradora teve uma perda de US$ 79 milhões decorrente de liquidações de posições, diz o relatório do BES Securities. A expectativa é que também ocorram perdas no segundo trimestre, mas menores, como chama atenção o relatório da Brascan Corretora.

Dos quatro analistas que fizeram projeções para o lucro da Vale, três usaram a contabilidade americana e estimaram lucro entre US$ 4,4 bilhões e US$ 5,2 bilhões para a mineradora, cerca de 20% a 28% acima do resultado do segundo trimestre de 2007, de US$ 4 bilhões, e 140% acima dos US$ 2 bilhões do primeiro trimestre. Já Rodrigo Ferraz, da Brascan, que usou as normas da contabilidade brasileira trabalhou com um ganho líquido de R$ 5,03 bilhões, 14% abaixo do lucro de R$ 5,8 bilhões do mesmo período do ano passado e 124% acima dos R$ 2,2 bilhões do primeiro trimestre deste ano.

Felipe Hyrai, da Merrill Lynch, que projetou um lucro de US$ 5,2 bilhões, a maior estimativa dentre os quatro bancos, avalia que a alta do preço do minério é reforçada pelo crescimento de 6,5% na produção do insumo, que somou 77,5 milhões de toneladas no período, garantindo aumento de receita e, consequentemente, maior ganho para a companhia.

Marcelo Aguiar, do Goldman Sachs, estimou US$ 4,8 bilhões de lucro líquido no trimestre. Além da elevação dos preços e das vendas, ele espera um forte resultado financeiro, propiciado pelo câmbio, dado que boa parte da dívida da mineradora é em dólar. Aguiar destaca ainda que os custos de produção da Vale devem crescer apenas 9% ante o mesmo período de 2007. Este é um foco de preocupação dos investidores da companhia, observa.

Juliana Chu, analista de mineração do BES Securities , que estimou US$ 4,4 bilhões, aposta na alta do minério e atribui o fraco desempenho das ações das mineradoras ao receio de uma recessão na economia global, atingindo inclusive a China. Mas acredita que o fato de as usinas da Ásia terem acatado recentemente um reajuste mais alto do minério da Rio Tinto indica que a demanda pelo produto vai continuar aquecida. Assim, ela acaba de rever a estimativa de alta do minério de 5% para 15% em 2009.

Para Rodrigo Ferraz, da corretora Brascan, porém, o cenário não parece tão otimista. Ele fez uma projeção que considera cautelosa de lucro para a Vale, pois não sabe qual será o impacto das perdas com "hedge". "Não sabemos o tamanho porque não conhecemos os parâmetros dos derivativos, quantos contratos já venceram desde o primeiro trimestre e em que preço se baseia a perda. Mas não creio que a perda seja maior que a do primeiro trimestre", diz.

Na análise de Ferraz, o minério e a pelota subiram, na média, 75%, o que vai ajudar o balanço do segundo trimestre, já que a receita bruta pode bater em R$ 18,2 bilhões, empatando com a do ano passado. A projeção de lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações é de R$ 9 bilhões, 11% menor que a de 2007.

Um comentário:

Marcos Dell Antonio disse...

Grande Fabio!

Diga-me uma coisa: de que maneira estes resultados podem influenciar nas ações da vale?

Deixe-me explicar o que quero entender.

Os papéis com certeza irão oscilar no dia da divulgação. Mas por quantos dias estes resultados terão impactos na bolsa? Um, dois, três ou até mesmo uma semana?

Se os lucros forem realmente de aproximadamente U$$ 5 bilhões, isso é motivo para uma alta de quantos pontos percentuais (se é que é possível medir isto...)?

E se o lucro for igual ao do mesmo período no ano passado, normalmente os papéis oscilam para cima ou para baixo?

Grato deste já!