quinta-feira, 9 de outubro de 2008
Resumo das Instituições afetadas pela crise até agora
Eis um resumo das Instituições que foram afetadas pela crise até agora.
ESTADOS UNIDOS
§ Bear Stearns - Era um dos maiores banco de investimentos dos Estados Unidos quando foi vendido, no início do ano, ao JPMorgan Chase, em operação coordenada pelo Fed. O Bear chegou perto de ir a falência devido ao seu envolvimento com a crise do crédito imobiliário de alto risco ("subprime") nos EUA, raiz da crise que afeta a economia mundial.
§ Fannie Mae e Freddie Mac - No início de setembro, o governo americano resgatou as duas maiores financiadoras de hipotecas do país, em um acordo que poderá custar até US$ 200 bilhões aos contribuintes do país. Elas possuem quase a metade dos US$ 12 trilhões em empréstimos para a habitação nos EUA.
§ Countrywide Financial - O Bank of America chegou a um acordo para adquirir a financiadora imobiliária por US$ 4 bilhões, em uma operação de troca de ações.
§ Lehman Brothers - O quarto maior banco de investimentos dos EUA pediu concordata em setembro, depois que, sem ajuda federal, não conseguiu fechar a sua venda para nenhuma instituição. Assim, se transformando no primeiro grande banco a entrar em colapso desde o início da crise financeira. Parte dos seus ativos foi vendida ao britânico Barclays.
§ AIG - A seguradora AIG (American International Group) conseguiu uma injeção de US$ 85 bilhões do governo americano para aumentar sua liquidez (crédito em circulação) e evitar a quebra, no mesmo destino do banco de investimentos Lehman Brothers
§ Merrill Lynch - O banco acertou a sua venda para o Bank of America (segundo maior banco dos Estados Unidos), por US$ 50 bilhões, no mesmo dia em que o Lehman Brothers quebrou.
§ Goldman Sachs e Morgan Stanley - Dois dos grandes bancos de investimentos que sobraram nos EUA foram autorizados pelo Fed (Federal Reserve, o BC americano) a se tornarem bancos comerciais. A mudança no status permite que eles criem bancos que poderão tomar depósitos, amparando os recursos de ambas instituições, e tenham o mesmo acesso que outros bancos comerciais aos planos de empréstimo da emergência do Fed.
§ Washington Mutual - No que foi considerado a maior falência de um banco americano, o Washington Mutual foi fechado pela FDIC (o órgão garantidor de contas bancárias) e a maior parte das suas operações vendida ao JPMorgan Chase por US$ 1,9 bilhão. Com sede em Seattle (Oeste), era o sexto banco americano em ativos. A aquisição criou a maior instituição americana de depósitos e poupança, com mais de US$ 900 bilhões em depósitos.
§ Wachovia - O banco, um dos maiores dos EUA, foi negociado para o Citigroup por cerca de US$ 2,2 bilhões com a assistência da FDIC, que irá absorver as perdas do Wachovia acima de US$ 42 bilhões e receberá US$ 12 bilhões em ações e garantias do Citigroup. Os problemas do Wachovia têm boa parte de sua origem na aquisição da companhia hipotecária Golden West Financial em 2006, por cerca de US$ 25 bilhões, quando o mercado imobiliário ainda estava em um momento de euforia.
EUROPA
§ Northern Rock - O banco britânico foi nacionalizado em fevereiro, sendo um dos primeiros atingidos diretamente pela crise os EUA. O parlamento britânico aprovou uma lei de caráter emergencial que deu ao governo poder para assumir a instituição pelos 12 meses seguintes.
§ UBS - O banco suíço, um dos primeiros e dos mais atingidos pelos efeitos da crise, teve no segundo trimestre deste ano um prejuízo de US$ 328,45 milhões e já cortou 6.000 empregos desde o ano passado. Só em abril, o UBS lançou no seu balanço mais US$ 19 bilhões em prejuízos com os empréstimos imobiliários "subprime" (de alto risco) e foi ao mercado buscar o dinheiro para fechar os rombos.
§ BNP Paribas - O banco francês foi o primeiro afetado pela crise, que deflagrou uma onda de incertezas em agosto do ano passado, quando congelou cerca de 2 bilhões de euros (cerca de US$ 2,73 bilhões) em fundos, citando as preocupações sobre o setor de crédito "subprime" nos EUA --até então, o termo que não ocupava tanto espaço no vocabulário do mercado financeiro.
§ Fortis - O grupo bancário e de seguros belgo-holandês foi afetado por papéis da crise "subprime" --as ações do banco já caíram mais de 70% neste ano. Para devolver liquidez (dinheiro disponível para crédito) ao Fortis, os governos de Holanda, Bélgica e Luxemburgo injetaram US$ 16,4 bilhões no banco, recebendo em troca 49% das ações nos braços nacionais da instituição. No começo de outubro, o BNP Paribas chegou a um acordo para obter o controle de suas atividades bancárias.
§ Bradford & Bingley - O Reino Unido nacionalizou a financiadora de hipotecas e créditos imobiliários, que em dificuldades por conta da crise nos EUA, teve parte das operações assumida pelo Santander.
§ HBOS - O banco britânico Lloyds TSB comprou o Halifax Bank of Scotland, maior credor imobiliário cotado no Reino Unido, por 12,2 bilhões de libras (US$ 22,2 bilhões). Com a fusão, os atuais acionistas do Lloyds TSB ficam com aproximadamente 56% do capital do Lloyds TSB, enquanto os atuais acionistas do HBOS, com 44%.
§ Hypo Real Estate - A instituição alemã, também do crédito imobiliário, obteve US$ 69 bilhões do governo e de um consórcio de bancos para se salvar. O acordo contempla que em até um montante total de 14 bilhões de euros, o Estado assuma 40% e os bancos, 60%, dos riscos que seriam derivados se o HRE tivesse que usar os créditos.
§ Glitnir - Em setembro, o governo da Islândia comprou 75% do terceiro banco local por cerca de US$ 900 milhões.
§ Landsbanki - O governo da Islândia assumiu o controle total sobre o segundo maior banco do país, em uma operação equivalente à nacionalização, para permitir a continuidade das operações comerciais e bancárias. A intervenção ocorre após a Rússia ter concedido à Islândia um crédito de 4 bilhões de euros para ajudar o país a sair da crise financeira que ameaça seu sistema bancário.
§ Dexia - O franco-belga Dexia recebeu uma injeção de US$ 9,2 bilhões da Bélgica, França e Luxemburgo para continuar operando e foi nacionalizado. O Dexia foi fundado em 1996 a partir da junção dos bancos France's Credit Local e Belgium's Credit Communal.
§ Unicredit - O banco italiano anunciou que vai cortar 700 empregos do setor financeiro no próximo ano, como parte do plano de redução de custos decidido depois da crise financeira mundial. Neste ano, o banco já cortou 300 postos de trabalho. O Unicredit foi afetado gravemente pela crise e se viu obrigado a anunciar um aumento de capital de mais de 6 bilhões de euros.
Desafortunadamente, não podemos afirmar com certeza de que a lista parará por aqui!
quarta-feira, 8 de outubro de 2008
O Mundo irá acabar?
A sensação para quem nunca viveu uma crise é péssima. Na segunda, dia 6-10-08, quando a Bolsa chegou a cair mais de 15% no dia, muitos devem ter pensado: "o mundo irá acabar?"
NÃO! O MUNDO NÃO IRÁ ACABAR! ENTRETANTO...
Teremos um caminho árido para a recuperação do valor dos ativos, leia-se ações! Não por acaso muitas empresas estão se valendo desta "oportunidade" para anunciar programas de recompra.
A impressão que se tem acompanhando o mercado no dia-a-dia é que não há nada e nem ninguém que possa estancar a atual onda de venda desmedida dos ativos. Ontem, por exemplo, não faltaram notícias que poderiam ser a justificativa ideal para o investidor se animar um pouco, ou ao menos parar de se desfazer das ações. Uma das mais importantes foi a decisão do Federal Reserve (Fed, o Banco Central americano) de agora ajudar as empresas, comprando notas promissórias (conhecidas como "commercial papers") emitidas por elas. A interpretação positiva é que o governo dos EUA está disposto a fazer qualquer coisa para amenizar a crise. Sob o ângulo negativo, a mensagem é que, se o Fed está socorrendo não apenas as instituições financeiras, é que os problemas já atingiram a economia real e de forma nada comedida. E foi exatamente essa última versão que os investidores preferiram comprar.
PRUDÊNCIA E CANJA DE GALINHA NÃO FAZEM MAL
Portanto, como apontei acima, qq. noticia é vista pelo "pior" ângulo, uma vez que o MEDO tomou conta dos atores deste mercado. E, pelo visto o mais prudente é seguir sereno em meio a este turbilhão, que como toda tormenta irá passar, estragos ficarão mas serão revertidos, pois, como dizem os mais velhos: "O TEMPO É SENHOR DE TUDO!".
LIÇÕES A RECORDAR...
1. Nunca coloque todos os ovos na mesma cesta! Investidor na Bolsa não investe só em Bolsa!
2. Não venda por pânico! Este é o momento de compra e não de venda!
3. O dólar sempre é afetado pela fuga de capitais, agora não seria diferente....
4. Invista com prudência, e siga sua estratégia de longo prazo, afinal nada se cria, nada se perde, tudo se transforma! (Lavoisier)
quinta-feira, 2 de outubro de 2008
Quer pagar quanto?
O setor de construção sofre com a crise. Mas qual a lógica por detrás disso?
No primeiro semestre, com o agravamento da crise do crédito no exterior, o mercado passou a restringir suas recomendações a companhias mais consolidadas, com presença em diversas regiões do país e um representativo banco de terrenos. Cyrela, Gafisa, Rossi, PDG e MRV pareciam ser então as aplicações mais atrativas.
Recentemente, no entanto, o mercado percebeu que o início do ciclo de aumento dos juros impediria o Brasil de experimentar o tão aguardado boom imobiliário já a partir deste ano. Com a quebradeira de bancos nos Estados Unidos e Europa e o encarecimento do crédito no Brasil, um novo fator surgiu para tornar ainda mais seleto o grupo de bons investimentos: o endividamento. Empresa mais alavancada entre essas cinco incorporadoras, a Rossi passou a ser um péssimo investimento. Suas ações acumulam queda de 76% neste ano, a maior baixa entre todos os papéis que compõem o Ibovespa (principal índice da bolsa paulista).
O desempenho das ações do setor de construção
| Empresa | Variação |
| Inpar | -93,6 |
| Abyara | -89,8 |
| Tenda | -86,8 |
| Even | -76,2 |
| Rossi Residencial | -76,0 |
| Trisul | -72,0 |
| Eztec | -69,7 |
| Helbor | -69,4 |
| Klabin Segall | -65,0 |
| Lopes | -61,4 |
| Camargo Corrêa | -61,2 |
| Brascan | -59,1 |
| Tecnisa | -58,6 |
| Company | -58,5 |
| CR2 | -52,2 |
| MRV | -47,4 |
| PDG Realty | -45,9 |
| JHSF | -41,4 |
| Agra | -39,8 |
| Rodobens | -38,0 |
| CCP | -33,0 |
| Gafisa | -26,9 |
| Cyrela | -19,3 |
| Fonte: Economática | |
| * No ano, até 29/09/2008 | |
O QUE MUDOU?? RESPOSTA: O CREDITO!!!!!!!!!!
O crédito tornou-se um diferencial porque o aumento das despesas com o pagamento de juros deve ter impacto direto na margem de lucro das incorporadoras. Nesta semana, a Rossi anunciou que faria uma emissão de 40 milhões de reais em debêntures pagando uma taxa equivalente ao CDI mais 3,5% ao ano – acima, portanto, dos juros pagos na emissão anterior. Além disso, os bancos também estão sendo mais criteriosos na liberação de financiamentos para os consumidores - e o reflexo já poderá ser sentido nas vendas de imóveis em setembro.
Esse cenário mais adverso ajuda também a explicar a rápida venda da Tenda para a Gafisa e da Company para a Brascan – em operações em que os controladores não receberam prêmios para deixar o comando dos negócios. O movimento de fusões e aquisições, entretanto, não é sinônimo de alto risco de falência no setor. As empresas do setor admitem uma redução na velocidade de vendas em setembro, mas ainda têm três caminhos para se capitalizar. A primeira delas é pela diminuição de lançamentos, que reduz a necessidade de crédito. A segunda é com a venda de terrenos e outros ativos. Por último, também é possível realizar aumentos de capital com a busca de novos parceiros.quarta-feira, 1 de outubro de 2008
Senado dos EUA aprova pacote
O Senado dos Estados Unidos aprovou na noite desta quarta-feira (1º) o plano de resgate dos mercados apresentado pelo governo Bush. A proposta, que prevê ajuda de US$ 700 bilhões a bancos em dificuldades no país, havia sido rejeitada na segunda-feira (29) pela Câmara. Por isso, sofreu algumas mudanças.
De acordo com informações preliminares, 74 senadores voltaram a favor do resgate aos bancos, enquanto 25 se posicionaram contra o projeto. A votação ocorreu por volta das 22h20 desta quarta-feira. Agora, a proposta volta para a Câmara, onde será provavelmente votada na sexta-feira (3).
A aprovação foi resultado de uma campanha de pressão que envolveu o presidente norte-americano George W. Bush, o secretário do Tesouro, Henry Paulson, e o presidente do Federal Reserve (o BC dos EUA), Ben Bernanke. Além destes, os candidatos à Presidência dos EUA, Barack Obama (Democrata) e John McCain (Republicano) também manifestaram seu apoio à proposta.
Presentes à sessão, os senadores Obama e McCain votaram, conforme previsto, favoravelmente à proposta. Segundo analistas, a adição de incentivos ao cidadão americano comum ajudou a convencer os senadores da importância da ajuda aos bancos em crise.
Pressão internacional
A pressão pela ajuda aos bancos nos EUA também ganhou contornos internacionais.Autoridades financeiras da Europa fizeram um apelo nesta quarta-feira para que o Senado dos Estados Unidos aprove a proposta revisada de resgate do setor financeiro.
segunda-feira, 29 de setembro de 2008
Segunda-Feira DRAMÁTICA
Apesar dos líderes partidários norte-americanos terem trabalhado o final de semana todo em torno de um consenso sobre o pacote bilionário de socorro do governo ao sistema financeiro, a Câmara dos Deputados do país jogou o esforço no lixo ao não aprovar as medidas em sessão nesta tarde, promovendo uma faxina nos ativos financeiros.
As bolsas despencaram pelo mundo, embora apenas do lado de cá do Atlântico a notícia tenha surtido efeito. A Bovespa chegou a acionar o circuit breaker ao cair mais de 10%, interrompendo suas negociações por 30 minutos.
O Ibovespa caiu 9,36%, na maior queda porcentual desde 14 de janeiro de 1999, quando havia espencado 9,97%. Perdeu 4.754,93 pontos durante o pregão, para fechar em 46.028,06 pontos.
Oscilou entre a mínima de 43.766 pontos (-13,82%) e a máxima de 50.473 pontos (-0,08%). No mês, acumula perdas de 17,33% e, no ano, de 27,95%. O giro financeiro somou R$ 5,766 bilhões, considerado fraco perto do que se viu na sessão, uma vez que muitos investidores ainda estão na defensiva. As informações são preliminares.
Exterior
Em Wall Street, os índices fecharam na mínima pontuação do dia. O Dow Jones perdeu 6,98%, aos 10.365,45 pontos, o S&P recuou 8,79%, para 1.106,42 pontos, e o Nasdaq tombou 9,14%, para 1.983,73 pontos. As informações são preliminares.
O pacote de ajuda bilionária ao sistema financeiro encontrou resistências no Congresso ao longo da última semana, o que levou os parlamentares a passarem o final de semana para buscar o consenso.
Ontem, ele veio, embora as críticas continuassem pipocando. Mas, apesar disso, ninguém previa que a Câmara rechaçaria o acordo visto que, ruim com ele, pior sem ele.
Fuga de capital
Na Bovespa, houve fuga de capital de todas as naturezas. Além da fuga dos investidores, também teve movimento de stop loss, que, segundo ele, pode continuar amanhã, quando as pessoas físicas assistirem o noticiário do dia caótico de hoje.
No pior momento do pregão, as ações da Petrobras e da Vale, as blue chips do pregão, derreteram mais de 15%. Mas não foram as maiores perdas do Ibovespa, que ficaram com Rossi Residencial (-21,06%) e BM&FBovespa (-20,22%). Nenhuma ação do Ibovespa fechou em alta hoje.
Para amanhã, o cenário pode se repetir, mas com menos vigor. O lado bom do cenário de hoje é que o governo dos EUA terá que fazer um novo plano, que pode ser melhor do que o que foi rejeitado hoje.
domingo, 28 de setembro de 2008
P de Preju no S da SADIA!
Sexta foi mais um dia de tensão no ar, com a indefinição do pacote de socorro nos EUA associada à quebra de mais um banco (Washington Mutual Funds) e do prejuízo financeiro anunciado pela SADIA.
O QUE ISTO DEMONSTRA
Seguimos com forte variação de humor, o que, repito, aos que possuem visão de investidor a longo prazo pode vir a ser uma boa oportunidade de compra.
S de SEM NOÇÃO DA SADIA
No mínimo lamentável o episódio, o que demonstra que precisa rapidamente rever sua estrutura de controle interno, afinal como é possível perder o lucro líquido de um ano inteiro em uma jogada financeira?
IMPACTOS PARA SADIA
Muitos bancos já reviram sua recomendação de compra, para baixo, estimando seu preço justo em R$ 9 a R$ 11.
De qualquer forma, bem acima dos cerca de R$ 6 que fecharam na sexta passada, dia 26 - setembro - 08
quinta-feira, 25 de setembro de 2008
Crise Financeira: Problema ou Oportunidade? Tire suas conclusões...
A forte oscilação dos papéis em bolsa deste mês de setembro traz um risco considerável para o investidor que quer sair do mercado, mas também uma oportunidade razoável para quem quer entrar. A maioria das ações que faz parte do Índice Bovespa, que reúne os papéis mais negociados na bolsa paulista, bateu o fundo do poço deste ano neste mês. Das 66 ações que compõem o índice, 41 tiveram a cotação mínima do ano em setembro. Mas, depois de bater a mínima, a maioria se recuperou com força.
É o caso, por exemplo, da Petrobras, cuja ação ordinárias (ON, com voto) chegou a subir 28,41% e a preferencial (PN, sem voto), 28% até ontem. No mesmo período, o Índice Bovespa, que bateu a mínima de 45.294 pontos também em setembro, subiu 10,04%, para os 49.842 pontos de ontem.
Isso significa que o investidor que se apavorou no pior momento do mercado e vendeu suas ações de Petrobras perdeu quase 30%. Ao mesmo tempo, quem teve sangue frio e comprou no auge da turbulência já teria ganho o equivalente a duas vezes o juro básico da economia, a Selic, hoje em 13,75% ao ano, em poucas semanas.
A menor oscilação ocorreu nos papéis que já tinham sofrido muito ao longo do ano, caso da Gol, cuja ação ON apanhou com a alta do petróleo no primeiro semestre e se recuperou a partir de maio quando as commodities começaram a cair. Na crise de setembro, o papel recuou menos, e já recuperou 2,07% até ontem. Outra na mesma situação foi Pão de Açúcar, que bateu a mínima antes de setembro e se recuperou, voltou a cair este mês e acumula alta agora de 2,74%.
Houve também papéis que caíram em setembro e não conseguiram se recuperar por fatores econômicos, caso das empresas de varejo, prejudicadas pela alta dos juros locais e pela perspectiva de maior aperto no crédito. Lojas Renner subiu desde a mínima de setembro — também a mínima do ano — 3,38% e Lojas Americanas, 3,35%. A Vale foi uma das vítimas das commodities e do plano de comprar outra empresa no exterior. O papel PN série A bateu a mínima este mês e conseguiu recuperar apenas 6,55% até ontem (23/09/08).
Vale dizer que os indicadores de desempenho das empresas se apresentam mais atraentes para o investidor, caso da relação Preço/Lucro (P/L) das empresas, que caiu acompanhando o preço das ações. Como ele dá uma indicação do prazo de retorno do investimento, quanto menor, melhor. A Petrobras, apesar da recuperação deste mês, ainda está com P/L de 11,5 vezes, para 18 do fim de 2007.
Das 20 ações do Ibovespa que se recuperaram com mais força este mês, 11 estão com P/L abaixo de 10. Nas que subiram menos desde o piso de setembro, oito também têm P/L de um dígito.
Não por acaso, as empresas costumam anunciar recompra de seus papéis, como fez a Microsoft. Afinal, fazia tempos que os papéis não estavam tão baratos!
terça-feira, 23 de setembro de 2008
Como dizia São Tomé....
Não restava dúvida de que o mercado aprovaria o socorro total e irrestrito do governo americano aos bancos que estão em maus lençóis, com o megapacote de US$ 700 bilhões anunciado no fim-de-semana. No entanto, bastante calejados pelos tombos das bolsas nesta crise financeira, os investidores reagiram como São Tomé, preferindo esperar ver o pacote aprovado pelo Congresso para só depois cantar vitória. O Índice Bovespa chegou a subir na abertura, mas não resistiu às acentuadas quedas dos principais índices da Bolsa de Nova York e acabou fechando em baixa de 2,86%, aos 51.540 pontos.
Os investidores estão receosos com relação a vários pontos do pacote. O primeiro deles é se as medidas serão realmente aprovadas pelos congressistas. Eles se mostram bastante consternados com a situação caótica do mercado financeiro do país, mas dificilmente perderão a oportunidade de tirar uma casquinha do governo em troca de dizer sim ao socorro dos bancos.
Outro temor e o mais importante, é a dificuldade operacional de se colocar o pacote em prática. O governo, provavelmente na figura do Tesouro ou do Federal Reserve (Fed, o Banco Central americano), terá de sentar com cada um dos bancos para definir todos os detalhes do socorro. Por exemplo, quantos títulos irá comprar da instituição financeira, a que preço, de qual forma, em qual data etc, etc, etc.
| O grupo de bancos que se rendem à benevolência do governo dos EUA aumenta a cada dia. Os últimos adeptos foram os gigantes |
| Não sobram críticas da postura leniente das autoridades americanas sobre a atuação desses bancos e do mercado de "hedge funds". Uma comparação rápida mostra a gravidade da situação. Na época da desvalorização do real ante o dólar, em 1999, o Brasil fechou um pacote de ajuda com o Fundo Monetário Internacional (FMI) em torno de US$ 40 bilhões, enquanto o socorro americano será de US$ 700 bilhões, sem contar todo o caminhão de dinheiro que o governo já despejou no mercado desde que a crise hipotecária deu os seus primeiros sinais, no início do segundo semestre do ano passado. |
| Commodities |
| As commodities tiveram um dia de importantes valorizações. O contrato futuro mais líquido do petróleo do tipo WTI, negociado em Nova York, subiu apenas ontem nada menos que US$ 16,37, fechando em alta de 15,66%, em US$ 120,92. Este é o maior ganho diário da commodity desde 1984. A escalada dos preços, que poderia ter um motivo saudável, como a percepção de que a desaceleração da economia global será mais leve do que se imagina, ocorreu pelo movimento de investidores fugindo do dólar em busca de ativos reais como o petróleo e o ouro. |
Prova disso é que as ações preferenciais (PN, sem voto) da
quarta-feira, 3 de setembro de 2008
IPO da VisaNet confirmada
uma dos IPOs (Initial Public Offers) mais esperadas dos últimos tempos ficou, na última sexta-feira (29), mais perto de se tornar realidade. Após muita especulação no mercado, a VisaNet finalmente entrou com o pedido de análise de oferta na CVM (Comissão de Valores Mobiliários).
Um prospecto inicial da operação já foi divulgado, embora a autarquia ainda tenha que conceder oficialmente o seu aval.
Ainda que o ambiente nos mercados não seja nada favorável, a expectativa é de que a oferta da VisaNet se classifique como uma das maiores da história da bolsa brasileira - senão a maior.
De olho nas perspectivas otimistas que rondam a companhia e seu setor de cartões de pagamento, investidores já começam a se interessar pelo IPO. Todavia, a operação deve ter muitos outros beneficiários, dois principais deles, o Bradesco (BBDC4) e o Banco do Brasil (BBAS3).
ESTRUTURA ACIONARIA
Analisando a estrutura societária da VisaNet, é evidente o peso do Bradesco e do Banco do Brasil em seu capital: 39,258% e 31,629%, respectivamente. Ambos serão acionistas vendedores da oferta, que devido ao seu caráter secundário, não concederá à companhia quaisquer recursos decorrentes da emissão de papéis no mercado.
"Os acionistas vendedores receberão todos os recursos líquidos resultantes da venda das ações objeto da oferta, inclusive caso haja emissão de ações adicionais ou o exercício das opções de ações suplementares", nas palavras do próprio comunicado enviado pela empresa. Confira abaixo a estrutura societária da VisaNet:
Acionistas Participação no capital
Bradesco 39,258%
BB Invest 31,629%
Banco Real 14,221%
Visa International 10,000%
Outros 4,892%
TROCANDO EM MIÚDOS
Tanto o Bradesco quanto o Banco do Brasil têm muito a ganhar com a realização do IPO da VisaNet.
De fato, não é a primeira vez que as instituições financeiras tiram proveito de ofertas de ações, sendo tal estratégia relativamente comum no setor bancário.O Banco do Brasil, por exemplo, teve seu desempenho do primeiro trimestre desse ano acrescido por um lucro de R$ 98 milhões, decorrente da venda de participação que detinha nas ofertas de ações da Bovespa Holding e da BM&F S.A.
Os ganhos com o IPO da Visa International nos EUA foram ainda maiores: R$ 362 milhões, devidamente contabilizados no segundo trimestre desse ano.
GANHOS POR VIR
Portanto, a realização do IPO da VisaNet significa expressivos ganhos por vir nos próximos resultados do Bradesco e do Banco do Brasil, provavelmente a serem contabilizados nos primeiros meses de 2009, uma vez que a estréia das ações ofertadas deve se dar no último trimestre desse ano.Há quem estime que se o BB e o Bradesco venderem a mesma participação que o Itaú e o Unibanco venderam na Redecard, eles poderão apresentar ganhos extraordinários que ultrapassam R$ 1 bilhão, o que corresponde a metade de seus últimos resultados trimestrais.
MAS ATENÇÃO À TEMPORALIDADE
No entanto, cabe destacar que tais ganhos são, por definição, não-recorrentes. Isto é, são lucros extraordinários, e que, portanto, não refletem uma melhora mais sólida nos fundamentos ou atuação das instituições. Ainda assim, quaisquer referências positivas em um setor que já recebe projeções otimistas por parte dos analistas são sempre bem-vindas.
sexta-feira, 22 de agosto de 2008
IPO da VISANET vêm aí!!
A Visanet, empresa que faz o credenciamento de estabelecimentos comerciais para a bandeira Visa, dará na próxima segunda-feira, dia 25, o primeiro passo para a listagem de ações na Bovespa.
Nesse dia, os acionistas da empresa se reunirão em assembléia para autorizar a apresentação de pedido de registro de companhia aberta à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
A operação da empresa é aguardada pelo mercado desde que a concorrente Redecard lançou ações, há um ano.
Segundo o diretor executivo de finanças e administração da Visanet Brasil, Vitor Fabiano, a convocação foi efetuada para que sejam criadas condições prévias e para que a empresa esteja pronta para a oferta inicial de ações, caso venha a ser definida pelos acionistas.
Uma vez que o pedido da Visanet ingresse na CVM, a operação deve permanecer em análise por pelo menos um mês. O mercado não sabe estimar se a oferta será realizada neste ano, pois dependerá da janela de oportunidade.
Apesar da instabilidade dos mercados, é possível dizer que a distribuição tem sinalização muito positiva. Em março passado, período nebuloso para o mercado de capitais, diante da crise de crédito internacional, a Visa fez a maior operação inicial de venda de ações nos Estados Unidos, com volume recorde de US$ 17,86 bilhões.
Bradesco e Banco do Brasil devem se beneficiar
É provável que a operação de Visanet pode ser um fator a impulsionar as ações do Bradesco e do Banco do Brasil, que possuem fatias de 40% e 32%, respectivamente, na empresa. Os papéis devem se beneficiar tanto do valor que o mercado atribuir à Visanet, quanto da venda de ações em uma eventual oferta secundária, em que os recursos vão para os acionistas.
A corretora do Itaú assumiu múltiplos para a Visanet semelhantes aos de Redecard, com preço/lucro (P/L) estimado para 2008 de 21,5 vezes e crescimento de receita de 21%. A corretora calculou valor de mercado de R$ 23 bilhões - o da Redecard é de R$ 20 bilhões. Na assembléia, os acionistas também aprovarão a conversão das ações ON, hoje divididas em A e B, em uma classe única de ordinárias.
Fiquemos atentos!
quarta-feira, 13 de agosto de 2008
SAIBA RECONHECER UMA AÇÃO EX!
Uma dúvida muito comum entre investidores é sobre as correções de preço que uma ação pode sofrer na Bolsa.
Muito investidores gostam de ações que pagam bons dividendos, muitas empresas definem pagamentos regulares de Juros sobre Capital Próprio (JCP) e/ou Dividendos para entrar na mira destes investidores.
Porém, quando a empresa paga efetivamente o JCP ou Dividendo, o último preço de fechamento de suas ações é ajustado para baixo, descontando o valor pago. O novo preço de fechamento teórico é chamado de preço EX.
Há vários eventos que podem gerar correções teóricas de preços históricos, ou preços EX.
As mais comuns são:
- Bonificação: Ocorre sempre que uma empresa distribui ações aos acionistas para ajustar diferenças de patrimônio líquido. Como o valor de mercado da empresa não muda, mas o número de ações em circulação sim, o preço da ação deve ser ajustado teoricamente.
- Dividendo ou Juros sobre Capital Próprio: Embora sejam dois eventos diferentes, o efeito prático no preço das ações é o mesmo. Se uma ação fechar em uma sexta-feira cotada a R$ 100 / ação e pagar um Dividendo ou JCP de R$ 1 / ação ao acionista, na segunda-feira o preço teórico do último fechamento será de R$ 99 / ação (100 - 1).
- Subscrição: Se a empresa faz uma chamada de capital aos acionistas, ou seja, distribui novas ações no mercado e aumenta o seu patrimônio líquido, o preço destas novas ações deve sempre ser menor do que o preço de mercado. Isto faz com que um ajuste teórico seja necessário para equalizar os preços de todas ações (novas e antigas) em uma mesma cotação.
- Grupamento: Muitas vezes o preço de uma ação fica muito baixo, na casa de centavos, e dificulta análises e operações de maior volume. Neste caso, a empresa normalmente agrupa várias ações antigas e troca por apenas 1 ação nova. Assim, um investidor que possuía 1.000 ações desta empresa, após um grupamento de 500 para 1 por exemplo, terá apenas 2 ações, ou 1.000 / 500. Só que o valor financeiro que ele possuía não pode mudar, então o que muda é a cotação da ação, que neste caso vai subir bastante.
- Desdobramento: é o inverso do Grupamento. Ações de empresas sólidas que se valorizam muito na bolsa acabam ficando caras demais, a ponto de perder compradores simplesmente porque eles não têm dinheiro para comprar um lote mínimo de 100 ações. Quando isto ocorre, as empresas podem desdobrar 1 ação em várias, mas normalmente em 2 ações. Assim, um desdobramento de 1 para 2 faz com que o preço da ação caia pela metade, uma vez que dobra o número de ações em posse dos acionistas.
UM CASO PRÁTICO – PETROBRAS (PETR4)
A ação preferencial de Petrobras - PETR4 - fechou cotada em 25/04/2008 a R$ 84,30 / ação.
Com isto o lote padrão de 100 ações de PETR4 custava R$ 8.430, caro demais para vários investidores pequenos.
A empresa definiu em comunicado ao mercado que iria dobrar o número de ações em circulação por meio de um Desdobramento a partir de 25/04/2008. Sendo assim, quem tinha 1 ação passou a ter 2.
Um investidor desavisado poderia achar que a sua posição acionária tinha dobrado, mas longe disso, a posição acionária de todos os acionistas ficou igual.
O patrimônio líquido da empresa também continuou igual, então o que mudou?
Resposta: A Cotação.
Uma pessoa que tinha comprado 100 ações de PETR4 no fechamento de 25/04/2008 por R$ 8.400, acordou em 28/04/2008 com 200 ações, mas continuou com os mesmos R$ 8.400 em custódia. Para isto ser possível a Bovespa aplicou um cálculo a última cotação de fechamento de R$ 84,30 e modificou-a para R$ 42,15, ou 84,30 / 2. O primeiro negócio do dia 28/04/2008 saiu pela cotação de R$ 42,58 / ação, ou uma alta de 1% sobre o fechamento teórico anterior de R$ 42,15 / ação.
Pelo exemplo acima conseguimos ver que o desdobramento foi positivo para as ações da Petrobras, pois realmente atraiu mais investidores e fez com que isto criasse valor as acionistas.
MAS E O GRÁFICO DA AÇÃO?
É importantíssimo que o investidor que usa a Análise Gráfica fique atento aos preços EX, pois sempre que uma cotação é ajustada teoricamente, não é apenas o último fechamento que é afetado, mas sim todo o histórico da ação.
Lembrando que muitos indicadores dependem do preço para serem calculados, então um gráfico de preço errado vai levar a um gráfico de indicador errado. Óbvio que isto fará com que a tomada de decisão sobre compra ou venda sairá errada.
BON$ INVE$TIMENTO$!
terça-feira, 5 de agosto de 2008
A QUEDA DA BOLSA
Abaixo reproduzo o texto interessante, que saiu hoje no Jornal O GLOBO, escrito por Ilan Goldfajn (ex-diretor do BACEN e atualmente sócio da Ciano Investimentos)....
A queda da bolsa
O investidor sofre com os altos e baixos da bolsa de valores. Na realidade gosta dos altos, sofre mesmo é com os baixos. O problema é que os baixos estão dominando nos últimos meses. O índice da Bolsa de Valores (Ibovespa) já caiu mais de 20% desde que atingiu o seu auge em meados de maio, quando o Brasil recebeu o grau de investimento das agências de classificação de risco. No acumulado do ano a queda é de 12%.
Outras bolsas caíram ainda mais. A da Índia caiu 28%, China, 48%, e a da Rússia, 17%. Nos países desenvolvidos, a queda foi de 21% na Alemanha, quase 15% nos EUA (S&P), 35% na França, e, na Inglaterra, 17%.
O que está acontecendo?
É pura volatilidade dos mercados ou um sinal relevante de preocupação pelo que vem pela frente no mundo? Por algum tempo, acreditava-se que haveria uma saída benigna para a crise americana. A economia americana não sofreria tanto e as economias emergentes efetivamente se descolariam dos problemas nos EUA. E, por enquanto, os dados econômicos ainda são bons: a economia dos EUA cresceu 1,9%, no último trimestre, e as economias emergentes crescem ainda num ritmo forte. Mas cresce a percepção que chegamos ao final do ciclo de prosperidade dos últimos anos. Numa recente entrevista, o ex-presidente do Fed (Banco Central dos EUA), Alan Greenspan, após passar 20 anos no cargo, e conhecido pela sua capacidade de analisar os dados econômicos, afirmou que os EUA estão à beira de uma recessão, e que os problemas imobiliários estão longe de serem resolvidos. Descreveu a crise financeira atual como algo que acontece apenas uma vez em cada cem anos.
Não há consenso sobre o que aflige o mundo.
Alguns acreditam que o mundo está crescendo rápido demais, já que a oferta de matéria-prima não consegue acompanhar esse ritmo, o que eleva os seus preços, em especial o petróleo, e gera inflação no mundo. O economista Ken Rogoff, professor de Harvard, num artigo no Financial Times, recomenda aos países desacelerarem as suas economias para evitar o pior. Isto significa apertar a política monetária (subindo os juros), nas economias emergentes, e que os países industriais (leia-se EUA) parem de estimular a sua economia com pacotes econômicos, que só vão adiar a solução final: o mundo precisa de uma desaceleração pronunciada.
Outros, como o economista Paul Krugman, professor de Princeton e colunista do The New York Times, acreditam que o risco é de uma recessão global, e que os EUA estão certos em tentar evitar o pior baixando os juros e segurando a economia com pacotes fiscais que estimulam o consumo. Somando as preocupações, teríamos, de um lado, a crise financeira nos EUA levando a uma recessão e desaquecimento global. De outro, o excesso de demanda, continuando a elevar o preço das commodities e provocando inflação no mundo.
Acho difícil acreditar que estamos fadados simultaneamente a uma inflação galopante no mundo e a um desaquecimento global de magnitude não vista anteriormente. Num cenário, a aceleração da inflação levaria os bancos centrais a apertar a taxa de juros, para, só depois de alguns meses, levar a uma desaceleração.
Alternativamente, poderia ocorrer uma desaceleração imediata, levando à queda dos preços das commodities, o que ajudaria no combate à inflação. Não haveria estagflação no mundo. Ou bem a inflação é um problema que será combatido pelos bancos centrais, o que levaria a uma estagnação depois de alguns meses (dadas as defasagens normais da ação dos bancos centrais), ou a estagnação chegou mais cedo, exercendo pressão baixista sobre os preços, e a inflação não será um problema tão grave no mundo.
De qualquer forma, ambas as visões antevêem o fim do ciclo de prosperidade dos últimos anos. O fim do ciclo não é equivalente ao fim do processo. Após uma desaceleração cíclica, espera-se que os fatores estruturais continuem a impulsionar a economia mundial. Há ganhos de produtividade que vieram para ficar, como os advindos da internet e da informatização dos processos, que precisam ainda espalhar-se pelo mundo. A incorporação de centenas de milhões de pessoas na Ásia (China, Índia e outros) à economia mundial deve continuar a impulsioná-la e mudar a face do desenvolvimento mundial.
Um período de retração mundial apenas permitirá uma folga para que a oferta de matérias-primas se recomponha, a reboque dos investimentos que estão fluindo para esses setores.
E qual é a conseqüência desse cenário para o Brasil e para as empresas brasileiras?
Até o momento a economia brasileira foi beneficiada por algumas características específicas da crise - subida dos preços das commodities e juros extremamente baixos nos EUA -, mas isto pode estar mudando. Uma desaceleração global mais pronunciada inevitavelmente reduziria o preço das commodities no mundo, reduziria o valor e o volume de exportações brasileiras e afetaria o crescimento do Brasil.
Todos esses fatores exercem pressão negativa sobre o valor das empresas na bolsa. A queda da bolsa de valores no Brasil está sinalizando que os investidores estão crescentemente preocupados com o cenário de desaceleração global e queda do preço das commodities.
Nesses momentos é bom considerar o médio e longo prazo. O padrão de crescimento global tem favorecido o Brasil, e deve continuar a fazê-lo. Na medida em que há uma tendência, ao que tudo indica irreversível, de incorporação à economia de mercado de contingentes populacionais expressivos na China e Índia, o mundo continuará precisando de alimentos, água, petróleo, energia alternativa, minerais e outras commodities.
Países, como o Brasil, que têm abundância relativa desses fatores podem continuar a beneficiar-se. Basta não desperdiçar esta oportunidade, investindo na infra-estrutura e na educação da sua população.
Agosto amargo
Agosto mal começou, mas a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) já conseguiu praticamente dobrar as perdas acumuladas em 2008. Até o fechamento de julho, a queda do Ibovespa - principal índice do mercado brasileiro - havia atingido 6,86%, mas depois de cair mais de 3% nos dois primeiros pregões de agosto as perdas foram ampliadas para 12,96% em 2008 - 6,55% apenas este mês.
Hoje, o principal índice da Bolsa recuou 3,51%. Em pontos, a Bovespa terminou em 55.609,1 pontos, menor nível desde 23 de janeiro. A queda dos metais e do petróleo e a fuga de estrangeiros derrubaram as principais ações domésticas, com as blue chips (ações de maior negociação) e os papéis de primeira linha conduzindo o tombo.
Em Nova York, o Dow Jones teve queda bem menor, de 0,37%. Além dos números ruins sobre a economia norte-americana, o setor financeiro voltou a pesar hoje sobre os índices, depois da quebra do First Priority Bank, da Flórida, fechado na sexta-feira, e da queda do lucro do HSBC.
O petróleo ajudou Wall Street ao cair 2,95%, para US$ 121,41, mas prejudicou as ações da Petrobras, ainda afetadas com as vendas dos investidores estrangeiros. As ações ON da empresa terminaram em -5,13% e as PN, em -4,69%.
Foi Vale, porém, quem roubou a cena do pregão ao derreter mais de 7%. Além do fechamento em baixa dos metais e da fuga de estrangeiros, os investidores têm penalizado os papéis após a oferta de ações, no mês passado, e também em meio às notícias de taxação do setor pelo governo. Meu juízo, entretanto, é de que há exagero na queda.
Amanhã, o principal destaque da agenda é a reunião do Banco Central dos Estados Unidos, que deve manter a taxa de juro em 2% ao ano. A avaliação é de que os investidores já se protegeram do evento no pregão de hoje e, a menos que uma notícia muito ruim esteja no comunicado que traz a taxa de juros, pode haver espaço para compras.
Dólar sobe
A venda de ações por parte de investidores estrangeiros na Bovespa manteve o dólar em alta durante todo o dia, mas reduziu a valorização perto do fechamento. A moeda norte-americana encerrou o dia cotada a R$ 1,563, em alta de 0,06%.
Existem 1000 maneiras de aplicar em Fundos! Escolha a sua!
A variedade de opções é enorme!
Abaixo relaciono as principais características dos tipos de fundo, segundo a ANBID.
Os fundos de Curto prazo se dividem em duas subcategorias, sendo a primeira de fundos de curto prazo tradicionais e a segunda em que os depósitos são feitos automaticamente pela administradora (Curto prazo Aplicação Automática).
Entre os fundos Referenciados, a Anbid divide a indústria entre os fundos Referenciados DI, que investem no mínimo 95% do valor de sua carteira em títulos ou operações que acompanhem a rentabilidade dos Certificados de Depósito Interbancário (CDI) ou da Selic, e Referenciado Outros, que acompanham outro indicador, como um índice de inflação.
Os fundos de Renda Fixa se dividem entre fundos que investem em títulos de juros do mercado doméstico e que acompanham índices de preços, chamados apenas de renda fixa; fundos de Renda Fixa Médio e Alto Risco e Renda Fixa Com Alavancagem. Os primeiros devem manter, no mínimo, 80% de sua carteira em títulos públicos federais ou ativos com baixo risco de crédito e não admitem alavancagem.
As duas últimas subcategorias contam com fundos bem mais arriscados, já que podem investir mais de 20% do patrimônio em títulos de crédito de empresas privadas. Nos fundos com alavancagem, como o nome indica o gestor ainda pode realizar operações para tentar aumentar a rentabilidade e o risco de perda de patrimônio é bastante alto.
Os fundos Cambiais podem aplicar em ativos ligados à variação do dólar (Cambial Dólar sem Alavancagem) ou do euro (Cambial Euro sem Alavancagem). Nenhuma das duas subcategorias admite fundos em que o gestor pode alavancar o patrimônio.
Os fundos Multimercados investem em diferentes classes de ativos e se dividem em subcategorias que indicam se o gestor tem uma parcela da carteira aplicada em ações e se ele pode alavancar o patrimônio em busca de maior retorno. São elas: Balanceados, Multimercados sem Renda Variável, Multimercados com Renda Variável, Multimercados sem Renda Variável Com Alavancagem, Multimercados com Renda Variável com Alavancagem, Capital Protegido e Long Short. As duas últimas subcategorias se referem à estratégia do gestor.
Nos fundos de capital protegido, uma parte das aplicações do investidor fica protegida das oscilações do mercado, já que a maior parte da carteira conta com aplicações de renda fixa, que podem ser títulos públicos ou privados; e uma pequena parcela – menos de 5% - em opções de Ibovespa. Opções significam o direito de comprar ou vender determinado ativo no futuro, pelo preço determinado no ato da compra da opção.
O fundo tem como meta render um porcentual da renda fixa mais 40% da variação do Ibovespa, casa haja exercício das opções no período de carência. Significa que: se a bolsa subir o suficiente para o gestor exercer a opção, o investidor ganha o rendimento da renda fixa mais o da bolsa; se a bolsa não subir, o investidor recebe o capital investidor mais a variação da renda fixa.
Os fundos de capital protegido possuem prazos específicos de depósito e resgate. Fora desses períodos, o investidor não consegue aumentar as aplicações.
Os fundos de long short representam uma estratégia do gestor para tentar se proteger de oscilações bruscas do mercado. Nesses fundos, o gestor assume posição contrária em diferentes ativos. No mercado, o termo long significa ficar comprado em uma aplicação, apostando na alta, e o termo short significa ficar vendido, esperando a queda. O gestor assume posição de comprador em ação X e de vendedor em ação Y e espera ganhar com a diferença entre o comportamento dos dois ativos.
Os fundos de Ações contam com o maior número de subcategorias: são 19. As subcategorias dizem respeito ao índice da bolsa no qual os fundos estão ligados ou se investem em determinado setor ou categoria de ações. A Bolsa de Valores de São Paulo possui diferentes índices de ações e define uma carteira teórica para cada um deles.
Entre os fundos que acompanham o principal índice, existem os fundos Ações Ibovespa Indexado, também chamados de passivos, pois o gestor só tem o trabalho de investir nas ações que integram a carteira do Ibovespa; Ações Ibovespa Ativo e Ações Ibovespa Ativo com Alavancagem. Nos dois últimos, o gestor pode comprar ações que não fazem parte do Ibovespa e, se permitir alavancagem, pode realizar operações no mercado de derivativos.
Outro índice que contam com categorias de fundos é o IBX, que contém as 100 ações mais negociadas da bolsa. Assim como os fundos Ibovespa, os fundos Ações IBX podem ser Indexados; Ativos ou Ativos com Alavancagem.
Os fundos setoriais investem em um único setor e são, portanto, bem mais arriscados. Além do risco das oscilações da bolsa, esses fundos estão sujeitos às perspectivas e desempenho do setor em que as empresas estão inseridas. A princípio, a Anbid considerava as subcategorias Ações Setoriais Telecomunicações e Ações Setoriais Energia. Em 2008, a Anbid criou as subcategorias Ações Setoriais Livre e Ações Setoriais Livre com Alavancagem, que integram fundos que investem em empresas de um mesmo setor, mas que ainda não tenham patrimônio suficiente para formar uma nova subcategoria de fundos setoriais.
Existem também os chamados fundos setoriais que investem em uma única empresa, também chamados de fundos mútuos de privatização, já que na época da criação as empresas estavam sendo privatizadas pelo governo. São dois: os Ações Setoriais Privatização Petrobras e Ações Setoriais Privatização Vale. Inicialmente, foram criados fundos para depósitos com uso do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço), que estão disponíveis atualmente apenas para resgate. Com o bom desempenho das duas empresas, surgiram fundos que podem ter aplicações a qualquer momento, já que não é mais permitido utilizar recursos do FGTS.
Em 2008, a Anbid também criou outras três subcategorias: Ações Small Caps; Ações Sustentabilidade/Governança e Ações Dividendos. Os fundos de small caps investem ao menos 90% do patrimônio em ações de segunda linha, pouco negociadas, que não estão entre as 25 maiores participações do índice IBrX (que contém as 100 ações mais negociadas do mercado). Os fundos de sustentabilidade investem apenas em empresas com bons níveis de governança corporativa, ou que se destacam em responsabilidade social e sustentabilidade empresarial no longo prazo. Por fim, os fundos de dividendos investem apenas em ações de empresas que fazem boa distribuição de lucro aos acionistas - os dividendos - de forma regular ou que o gestor acredita que têm perspectiva de pagamento no futuro.
Os fundos que não se aplicam nas divisões anteriores integram as subcategorias Ações Livre e Ações Livre com Alavancagem.
As subcategorias de renda fixa, ações ou multimercados também são utilizadas para classificar os fundos fechados, que não admitem entrada de novos investidores, e fundos de previdência. Sempre que o investidor compra um plano de previdência privada, os valores aplicados são investidos em um fundo, de acordo com o perfil do cliente.
segunda-feira, 4 de agosto de 2008
A diferença no balanço da Vale
Segue matéria do jornal VALOR de hoje apontando a expectiva de alguns analistas quanto aos números a serem divulgados pela VALE no próximo dia 06/agosto.
Os papéis da Vale do Rio Doce podem estar dando vexame na bolsa, mas analistas de grandes bancos como Merrill Lynch, Goldman Sachs e BES Securities estão prevendo lucro recorde para a companhia no segundo trimestre.
A alta de 65% no preço do minério de ferro e de 87% no valor das pelotas de minério, que foram incorporados neste trimestre aos contratos, foram citados pelos analistas como fatores que contribuiriam para elevar bastante a receita de ferrosos, estimada entre US$ 11 bilhões e US$ 12 bilhões no período, a ponto de anular o impacto da queda de 11% do preço do níquel. Os ferrosos representam 45% da receita da Vale.
Mas pode haver surpresas embutidas nos números financeiros, por conta de perdas com contratos de "hedge" em metais como cobre, níquel e alumínio. No primeiro trimestre, a mineradora teve uma perda de US$ 79 milhões decorrente de liquidações de posições, diz o relatório do BES Securities. A expectativa é que também ocorram perdas no segundo trimestre, mas menores, como chama atenção o relatório da Brascan Corretora.
Dos quatro analistas que fizeram projeções para o lucro da Vale, três usaram a contabilidade americana e estimaram lucro entre US$ 4,4 bilhões e US$ 5,2 bilhões para a mineradora, cerca de 20% a 28% acima do resultado do segundo trimestre de 2007, de US$ 4 bilhões, e 140% acima dos US$ 2 bilhões do primeiro trimestre. Já Rodrigo Ferraz, da Brascan, que usou as normas da contabilidade brasileira trabalhou com um ganho líquido de R$ 5,03 bilhões, 14% abaixo do lucro de R$ 5,8 bilhões do mesmo período do ano passado e 124% acima dos R$ 2,2 bilhões do primeiro trimestre deste ano.
Felipe Hyrai, da Merrill Lynch, que projetou um lucro de US$ 5,2 bilhões, a maior estimativa dentre os quatro bancos, avalia que a alta do preço do minério é reforçada pelo crescimento de 6,5% na produção do insumo, que somou 77,5 milhões de toneladas no período, garantindo aumento de receita e, consequentemente, maior ganho para a companhia.
Marcelo Aguiar, do Goldman Sachs, estimou US$ 4,8 bilhões de lucro líquido no trimestre. Além da elevação dos preços e das vendas, ele espera um forte resultado financeiro, propiciado pelo câmbio, dado que boa parte da dívida da mineradora é em dólar. Aguiar destaca ainda que os custos de produção da Vale devem crescer apenas 9% ante o mesmo período de 2007. Este é um foco de preocupação dos investidores da companhia, observa.
Juliana Chu, analista de mineração do BES Securities , que estimou US$ 4,4 bilhões, aposta na alta do minério e atribui o fraco desempenho das ações das mineradoras ao receio de uma recessão na economia global, atingindo inclusive a China. Mas acredita que o fato de as usinas da Ásia terem acatado recentemente um reajuste mais alto do minério da Rio Tinto indica que a demanda pelo produto vai continuar aquecida. Assim, ela acaba de rever a estimativa de alta do minério de 5% para 15% em 2009.
Para Rodrigo Ferraz, da corretora Brascan, porém, o cenário não parece tão otimista. Ele fez uma projeção que considera cautelosa de lucro para a Vale, pois não sabe qual será o impacto das perdas com "hedge". "Não sabemos o tamanho porque não conhecemos os parâmetros dos derivativos, quantos contratos já venceram desde o primeiro trimestre e em que preço se baseia a perda. Mas não creio que a perda seja maior que a do primeiro trimestre", diz.
Na análise de Ferraz, o minério e a pelota subiram, na média, 75%, o que vai ajudar o balanço do segundo trimestre, já que a receita bruta pode bater em R$ 18,2 bilhões, empatando com a do ano passado. A projeção de lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações é de R$ 9 bilhões, 11% menor que a de 2007.
domingo, 27 de julho de 2008
As 15 Melhores & Piores IPO´s....
Levantamento da Revista Exame aponta as 15 melhores e piores IPO´s....
Veja abaixo:
Após a euforia inicial, cerca de 70% das aberturas de capital na Bovespa tornaram-se um mau investimento. Hoje, algumas ações valem menos que o IPO. Diante deste cenário, a EXAME pediu ao Citibank uma pesquisa sobre a situação das empresas depois do IPO. Veja abaixo as que mais se desvalorizaram e as que conseguiram se manter no azul.
| As maiores perdas | ||
| Empresa | IPO | Rentabilidade da ação* |
| Agrenco | 23/10/2007 | - 86,1% |
| CSU Cardsystem | 27/04/2006 | - 82,5% |
| Brasil Ecodiesel | 09/11/2006 | - 82,4% |
| Gol | 23/06/2004 | - 80,7% |
| Grendene | 2710/2004 - | 78,6% |
| LAEP Investments | 26/10/2007 | - 72,0 % |
| CR2 | 19/04/2007 | - 68,3% |
| Brascan Residential | 19/10/2006 | - 66,7% |
| Inpar | 04/06/2007 | - 65,9% |
| Banco Pine | 28/03/2004 | - 65,8% |
| Eztec | 19/06/2007 | - 65,8% |
| Providência | 25/07/2007 | - 64,8% |
| Klabin Segall | 05/10/2006 | - 64,2% |
| Bematech | 17/04/2007 | - 62,7% |
| Banco Patagônia | 18/07/2007 | - 61,9% |
| As que mais renderam | ||
| Empresa | IPO | Rentabilidade da ação* |
| MMX | 20/07/2006 | 199,1% |
| SLC Agrícola | 13/06/2007 | 84,3% |
| Lupatech | 11/05/2006 | 75,6% |
| GVT | 14/02/2007 | 59,9% |
| Brasil Broker | 25/10/2007 | 34,5% |
| Nutriplant | 11/02/2008 | 20,8% |
| Tenda | 10/10/2007 | 19,9% |
| GP Investments | 30/05/2006 | 18,5% |
| ALL | 23/06/2004 | 18,2% |
| Hypermarcas | 16/04/2008 | 18,1% |
| Porto Seguro | 18/11/2004 | 18,1% |
| MRV | 19/07/2007 | 12,8% |
| PDG Reaty | 24/01/2007 | 6,0% |
| Totvs | 07/03/2006 | 2,8% |
| Marfrig | 26/06/2007 | 2,1% |
* Rentabilidade da ação ao preço do IPO até 10 de julho de 2008, descontado a variação do Ibovespa
A hora da verdade - Materia da Revista Exame
A mais recente edição da EXAME está nas Bancas, e refere-se à BOLSA.
Abaixo a matéria principal transcrita....
A hora da verdade para a Bolsa....
Mais de 12 trilhões de dólares evaporaram dos mercados de capitais em todo o mundo nos últimos 12 meses. Na Bovespa, a tensão não pára de subir. A bolsa virou mico? Não. Mas parece ser o fim da exuberância irracional — e isso é bom
Grandes ganhos e enormes perdas fazem parte da natureza do mercado financeiro e — mais especificamente — das bolsas de valores. Sempre foi assim. E provavelmente sempre será, ainda que a maioria dos mortais não possa prevê-los com precisão. No início do século 18, o físico Isaac Newton, um dos maiores gênios matemáticos que a humanidade já produziu, foi uma das vítimas da quebra de expectativas que o mercado, ciclo após ciclo, gera. Newton foi um dos investidores da South Sea Company, empresa britânica que prometia grandes lucros com a exploração comercial dos mares do Atlântico Sul. Parecia perfeito, num momento em que o comércio internacional ganhava força. Mas os planos não se concretizaram, o negócio tornou-se inviável, os investidores correram para vender suas participações e a South Sea quebrou. O acontecimento é descrito hoje como uma das primeiras bolhas financeiras da história. Newton foi engolido por ela e definiu sua frustração com a imprevisibilidade do mercado da seguinte forma: “Posso calcular o movimento das estrelas, mas não a loucura dos homens”.
Desde então, o capitalismo produziu, em intervalos irregulares, uma série de bolhas: o crash de 1929, a crise imobiliária japonesa nos anos 80, a exuberância irracional da internet na década de 90 e — a última delas — o chamado subprime americano, uma seqüência de perdas que começou com empréstimos imobiliários sem garantias e se espalhou por todo o sistema financeiro dos Estados Unidos. A crise do subprime completa agora um ano sem que se possa prever até quando “a loucura dos homens” vai gerar estragos e qual a dimensão exata deles. Estamos atravessando um período de expiação, e é nas bolsas de todo o mundo que suas conseqüências se manifestam mais rapidamente. Nos últimos 12 meses, 12 trilhões de dólares evaporaram dos mercados de capitais ao redor do mundo. Assustados e ansiosos para cobrir prejuízos em outros negócios, grandes investidores deixam os pregões, vendendo suas ações e derrubando as cotações. Isso inclui a Bovespa, a incensada bolsa brasileira. Durante todo este ano de turbulência internacional, a Bovespa comportou-se exemplarmente. Foi um dos poucos pregões do mundo a acumular uma alta — 10% em 12 meses. Mas seria ingenuidade achar que os investidores brasileiros — abençoados por um período de expansão na economia interna e com a valorização do preço das commodities agrícolas e minerais — passariam incólumes aos sucessivos maus resultados das instituições financeiras americanas, à ameaça de aumento da inflação e à desaceleração do crescimento mundial. Desde o início do mês de junho, o Índice Bovespa, que mede o desempenho das ações mais negociadas, caiu 18% — foi o período mais longo de quedas desde 2002. No acumulado de 2008, até o fechamento desta edição, as perdas eram de 6,6%. Novas ofertas de ações tornaram-se raras — foram três desde o começo deste ano. E cerca de 70% das empresas que abriram o capital nos últimos quatro anos valem hoje menos do que valiam na época de seus IPOs (veja reportagem na pág. 24). Bem-vindo à vida como ela realmente é. A exuberância demonstrada pela bolsa brasileira nos últimos anos pode ter feito crer aos 2,5 milhões de investidores do país — entre aqueles que investem diretamente e os que aplicam por meio de fundos — que a trajetória do mercado aponta sempre para cima. Mas essa não é a ordem natural das coisas. “Os altos e baixos do mercado são comuns, mas muitos investidores pareciam ter se esquecido desse detalhe”, diz o americano Jim Rogers, ex-sócio do investidor húngaro George Soros e dono da empresa de investimentos Rogers Holdings. “Agora estamos em pleno momento de depuração.” E isso não é necessariamente ruim.
O principal alimento da turbulência recente na bolsa brasileira é o histórico de más notícias vindas dos Estados Unidos. “Cresce a percepção de que não haverá uma solução rápida e fácil para essa situação”, diz o americano Robert “Bear” Arnott, sócio da consultoria financeira Research Affiliates. Dias atrás, o IndyMac, banco com nome de lanchonete e uma carteira carregada de hipotecas podres, quebrou na Califórnia. As próximas semanas e meses prometem surtos de grandes emoções. O governo americano quer colocar em prática o plano de salvamento das companhias Fannie Mae e Freddie Mac, que correm o risco de quebrar. Juntas, elas respondem por quase metade dos 12 trilhões de dólares de hipotecas nos Estados Unidos. É improvável que a falência se concretize, mas a má situação dessas companhias é mais uma demonstração de fragilidade na maior economia do mundo, responsável por cerca de 30% do consumo do planeta. E isso já é suficiente para despertar — como diria Newton — o medo e a loucura dos homens. “Fannie e Freddie são parte do problema, mas, mesmo depois que se encontre uma solução para essas empresas, muito mais sangue será derramado”, diz Kenneth Rogoff, professor de economia da Universidade Harvard e ex-economista-chefe do FMI. Em setembro, três grandes bancos de investimento publicarão seus resultados trimestrais — entre eles o Lehman Brothers, um dos que estão em situação mais vulnerável. Ao longo desse caminho, as bolsas devem continuar reagindo aos anúncios do desempenho da economia americana e às oscilações na cotação do petróleo.
É nesses momentos que o investidor se torna mais seletivo, premia as ações de empresas consideradas sólidas e foge do risco. Muito da performance razoável da Bovespa ante outros pregões do mundo aconteceu por causa da atração que papéis de empresas como Vale e Petrobras exercem. Juntas, as ações das duas companhias representam 30% de todo o volume transacionado na Bovespa. Quando os preços dessas ações sobem puxados pelo boom das commodities — como tem sido o caso nos últimos tempos devido à crescente demanda de China e Índia —, o Índice Bovespa acompanha o movimento. A cada anúncio de descoberta de petróleo da Petrobras, aumenta o apetite dos investidores pelos papéis da estatal. Além disso, a pulverização no número de investidores ajudou. Hoje, cerca de 500 000 brasileiros aplicam diretamente na bolsa. “Existe uma forte correlação entre o aumento da riqueza de um país e a entrada de investidores locais na bolsa de valores”, diz Jim O’Neill, chefe do departamento de pesquisas econômicas do banco Goldman Sachs e autor do termo Bric, que designa o grupo de países formado por Brasil, Rússia, Índia e China. E, mais do que uma mudança quantitativa, houve um avanço em termos de qualidade. Uma parcela considerável desses investidores tem seguido o célebre conselho de John Templeton, um dos maiores financistas americanos: o melhor momento para investir em ações é quando “o pessimismo está no auge”. Nos últimos seis meses, investidores estrangeiros em fuga tiraram 6,7 bilhões de reais em ações da Bovespa, enquanto aplicadores brasileiros colocaram os mesmos 6,7 bilhões na bolsa, ajudando, assim, a diminuir o impacto da queda. Essa tendência se manterá? É difícil dizer.
Mercados de ações funcionam, basicamente, movidos por expectativas e, nesse ponto, mesmo com a desaceleração da economia americana e global, as projeções para o Brasil são positivas. Economistas do FMI que acabaram de atualizar suas previsões estimam que o Brasil crescerá 4,9% neste ano e 4% no ano que vem. Apesar da perspectiva de queda no ritmo da expansão, a economia brasileira, segundo o FMI, deve ficar acima da média mundial. Se essas previsões se materializarem, o país completará seis anos de crescimento superior a 3%. “Mesmo com o aumento da inflação e dos juros, a economia brasileira segue robusta”, diz Zeina Latif, economista-chefe do banco Real. Caso se confirme esse ambiente de crescimento econômico puxado por um mercado interno aquecido e pela produção de commodities, aumenta a chance das companhias de entregar os resultados prometidos aos investidores. É graças a essa expectativa que a maioria dos analistas ainda acredita que a bolsa brasileira sairá dos atuais 60 000 pontos para fechar o ano com 80 000.
Mesmo em meio à crise — e com o segmento de IPOs e ofertas de ações praticamente parado —, as empresas brasileiras vêm conseguindo se financiar lançando mão de outros mecanismos do mercado de capitais. As emissões de títulos de dívida somaram 17 bilhões de reais no primeiro semestre deste ano, quase 30% mais que no mesmo período de 2007, por exemplo. “Isso não ocorria no passado, quando os mercados costumavam ficar fechados para companhias sediadas no Brasil”, diz o advogado José Eduardo Carneiro Queiroz, sócio responsável por mercado de capitais do escritório Mattos Filho, de São Paulo. Há quem aposte que, além de sustentar a expansão das empresas para fazer frente à demanda crescente do mercado interno, esses recursos poderão ser utilizados para promover uma nova onda de internacionalização — dessa vez, tendo os Estados Unidos como alvo preferencial. “É um momento único: as empresas americanas estão baratas em razão da crise e da desvalorização do dólar, e as companhias brasileiras estão sólidas”, diz Charlie Welsh, fundador da Mergermarket, empresa inglesa especializada em estudos sobre fusões e aquisições. Para ele, um exemplo desse movimento foi a compra da cervejaria Anheuser-Busch pela belgo-brasileira InBev.
Apesar do otimismo, é possível que esse prognóstico positivo sobre o futuro da economia e da bolsa brasileira sofra alterações. Quedas bruscas no preço das commodities e uma drástica piora do quadro econômico nos Estados Unidos são os principais temores. Nos próximos meses, a economia americana viverá em meio a duas pressões conflitantes. “Por um lado, é preciso conter o crescimento para controlar a alta dos preços, mas o desaquecimento não pode ser forte demais ou haverá recessão mais adiante”, diz Vincent Reinhart, ex-diretor do Federal Reserve e atual membro do American Enterprise Institute, de Washington. Logo nos primeiros meses da crise, uma facção dos economistas achava que a melhor imagem para descrever o futuro da economia americana seria uma linha em V (ou seja, a atividade cairia rapidamente e teria uma recuperação igualmente veloz). Hoje, com o aperto do crédito, os especialistas se dividem entre os que acham que a atividade fará um traçado em U (queda, estabilidade em patamares baixos e aumento firme da atividade) e os que apostam num W (períodos de oscilações bruscas e radicais). Ninguém consegue dizer com segurança se já se chegou ao fundo do poço, e não está descartado o cenário de estagflação, a conjunção perversa de estagnação econômica com inflação, cenário que se concretizou pela última vez na década de 70. “A história é pontuada por momentos de expansão interrompidos por períodos de rupturas”, diz Nouriel Roubini, professor de economia da Universidade de Nova York que foi assessor da Presidência durante o governo de Bill Clinton. Quando cada um deles vai começar e terminar é algo que nem mesmo os grandes gênios foram capazes, até agora, de prever.
quinta-feira, 24 de julho de 2008
Copom surpreende e sobe juros para 13% ao ano
O Comitê de Política Monetária (Copom), colegiado formado pelos diretores e pelo presidente do Banco Central, responsável por fixar os juros básicos da economia brasileira, surpreendeu e subiu os juros em 0,75 ponto percentual nesta quarta-feira (23), de 12,25% para 13% ao ano. Com a decisão, a taxa de juros está no maior patamar desde janeiro de 2007.
Esse é, inclusive, o maior aumento de juros desde fevereiro de 2003, quanto a taxa Selic passou de 25,5% para 26,5% ao ano, ou seja, uma elevação de 1 ponto percentual. Naquele momento, havia fortes turbulências na economia brasileira, com subida do dólar, que chegou perto de R$ 4 antes da eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e o BC optou por uma postura mais conservadora.
A decisão desta quarta do Copom pode ser considerada uma surpresa, se for levada em conta a previsão a última pesquisa semanal do Banco Central divulgada na segunda-feira (21). Nela, a maior parte dos analistas ouvidos disse acreditar em um aumento de menor intensidade (0,50 ponto percentual), para 12,75% ao ano.
A decisão dos integrantes do Copom foi unânime.
Com a elevação de juros, o Brasil foi confirmado na liderança do ranking mundial de juros reais - que são obtidos após o desconto da inflação. Essa é a terceira reunião consecutiva do Copom de subida nos juros e a estimativa de analistas do mercado financeiro é que a taxa básica subirá em mais quatro oportunidades em 2008, terminando este ano em 14,25% ao ano.
Ao final do encontro, foi divulgada a seguinte frase pelo BC: "Avaliando o cenário macroeconômico e com vistas a promover tempestivamente a convergência da inflação para a trajetória de metas, o Copom decidiu, por unanimidade, elevar a taxa Selic para 13% ao ano, sem viés".
De olho na inflação
A preocupação do Banco Central, ao subir os juros básicos da economia, é com o crescimento da inflação, que é resultado da elevação dos preços das "commodities" (produtos básicos com cotação internacional, como grãos, aço e petróleo, por exemplo) e do aumento da procura por produtos e serviços pela população - que acontece na esteira do processo de aumento da renda interna.
No Brasil, vigora o sistema de metas de inflação. Para este ano, e para 2009, a meta central de inflação é de 4,5%, com base no IPCA. Há um intervalo de tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo, de modo que, teoricamente, a inflação poderia ficar entre 2,5% e 6,5%. Para conter aumento dos preços acima das metas, o BC sobe os juros. Quando julga que a inflação está compatível com as metas, pode baixá-los.
Embora a expectativa do mercado financeiro para o IPCA deste ano continue subindo, sendo elevada, na última semana, para 6,53%, ou seja, acima do teto de 6,50% do sistema de metas de inflação, o mercado segue acreditando, até o momento, que o comportamento da inflação será mais benigno em 2009 - uma vez que estima um IPCA de 5% para o ano que vem. Um aumento de juros demora pelo menos seis meses para ter impacto pleno na economia e, por conta disso, o BC já está mirando, neste momento, na meta de inflação de 2009.
Desaceleração
A decisão do Copom foi tomada apesar de o aumento dos preços, segundo dados divulgados recentemente, terem se mostrado desaceleração nas últimas semanas. O IPC da Fipe, por exemplo, somou 0,59% na segunda quadrissemana de julho, contra 0,77% na primeira semana deste mês. É o menor número desde a última semana de abril.
O IGP-DI, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), apresentou um comportamento estável de maio (+1,88%) para junho (+1,89), o que foi interpretado por especialistas como o início de um processo de desaceleração na subida da inflação. Como ainda há pressões de alimentos, porém, analistas da FGV acreditam que esse processo será lento.
Demanda
A confiança do consumidor, divulgada nesta quarta-feira (23) pela FGV, recuou, por sua vez, 4,9% na passagem de junho para julho, e caiu ao menor nível em dois anos. Houve piora nas expectativas em relação às compras de bens duráveis nos próximos seis meses: a parcela dos que esperam gastar mais diminuiu de 13% para 10,7%.
quarta-feira, 23 de julho de 2008
Mais um Banco no Vinagre!
O prejuízo de quase US$ 9 bilhões no segundo trimestre anunciado pelo
Mas foi o discurso do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) da Filadélfia, Charles Plosser, que serviu a novas realizações de lucros nas commodities metálicas e no petróleo lá fora, e, conseqüentemente nas ações da
SUBIR OU NÃO SUBIR OS JUROS NOS EUA? EIS A QUESTÃO!
Com a inflação batendo às portas da maior economia do planeta, Plosser voltou a defender uma política monetária mais restritiva, o que justificou a toada observada na semana passada, de migração de recursos aplicados em commodities para o dólar e outros ativos referenciados na moeda americana. Embora coerente com o que vem defendendo desde a última reunião do Comitê de Mercado Aberto do Fed (Fomc, na sigla em inglês) - ele foi um dos dois votos a favor de uma alta de juros -, porém não é essa a idéia que vem sendo transmitida pelo presidente do Fed, Ben Bernanke.
Os Bancos dos EUA ainda estão em maus lençóis! Afinal, com o preço dos imóveis caindo e a redução do valor dos ativos emitidos em cima das hipotecas, as instituições financeiras podem ser obrigadas a reconhecer novas perdas.
INÍCIO DA CRISE SUBPRIME VAI COMPLETAR UM ANO!
Às vésperas de completar um ano do início do socorro coordenado pelos bancos centrais de economias desenvolvidas para resgatar instituições com problemas de liquidez, ainda não se vê o fundo do poço. De agosto de 2007 para cá, já foram contabilizadas, das entranhas do "subprime", perdas de US$ 460 bilhões!
RESUMO DO DIA (22/07/08)
Lá fora, o saldo do dia acabou sendo positivo, com alta de 1,2% para o Dow Jones Industrial e de 1,4% para o Standard & Poor's 500 (S&P). As ações do Wachovia, que chegaram a cair 12% durante o dia, com o prejuízo recorde e a redução dos dividendos que serão distribuídos, terminaram o pregão com alta de 28%. O alento veio do presidente do banco, Robert Steel, que afirmou que a instituição não pretende fazer um aumento de capital e, sim, cortar US$ 2 bilhões em despesas.
Ibovespa cai 1,85%, na rota das commodities
Com a queda das commodities metálicas e das cotações do petróleo, o Ibovespa não teve chance de acompanhar a reação observada em Wall Street. Petrobras PN perdeu 3,43%, enquanto a ON recuou 3,21%. Vale PNA caiu 3,62% e Vale ON cedeu 3,62%. As siderúrgicas, que comandaram as altas na segunda-feira, também ficaram devendo. O maior tombo dentro do Ibovespa foi de
Por outro lado, com o petróleo em queda,
terça-feira, 22 de julho de 2008
NA SEMANA DO COPOM EXPECTATIVA É DE META ESTOURADA!
Nesta quarta temos o veredicto do COPOM sobre a taxa SELIC, hoje em 12,25% aa.
A perspectiva é de alta, muitos (inclusive eu) cogitam elevação de 0,5%, passando-a para 12,75% aa.
Em paralelo, o mercado financeiro hoje projeta para este ano uma inflação de 6,53%, acima do teto do intervalo de tolerância fixado no regime de metas para a inflação, de 6,5%. É o que mostra a pesquisa semanal do Banco Central com cerca de 100 analistas econômicos de instituições financeiras, consultorias e empresas, divulgada ontem.
Caso se confirme a inflação projetada pelo mercado, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, terá que escrever uma carta aberta ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, explicando os motivos do descontrole inflacionário e as providências adotadas para recolocar o índice de preços dentro da meta.
O Conselho Monetário Nacional (CMN) fixou uma meta de 4,5% para 2008, com um intervalo de tolerância de dois pontos percentuais para cima e para baixo. Isso significa que a meta estará cumprida caso a inflação fique na faixa entre 2,5% e 6,5%.
A inflação se acelerou no início deste ano devido à alta de preços de alimentos, energia e "commodities". O Banco Central também identifica excesso de aquecimento da economia, que faz com que consumo e investimento andem acima do que pode ser atendido pela oferta agregada. Para reduzir a demanda, o Banco Central já promoveu duas altas de juros de 0,5 ponto percentual, elevando a taxa Selic a 12,25% ao ano.
A inflação projetada pelo mercado financeiro para 2009 ficou estável em 5%, interrompendo uma seqüência de cinco semanas de alta. Hoje, a política monetária está sendo focada sobretudo no próximo ano, já que movimentos na taxa de juros têm o seu efeito principal na inflação de nove meses adiante.
Os analistas do mercado financeiro esperam que no fim deste ano a taxa Selic chegue a 14,25% ao ano, o que significa uma alta acumulada de três pontos percentuais desde o início do atual ciclo de contenção monetária, em abril, quando a taxa estava em 11,25% ao ano. Para o fim de 2009, o mercado projeta agora uma Selic de 13,75% ao ano, acima dos 13,5% ao ano projetados uma semana atrás. Esse é um sinal de que o mercado financeiro trabalha com um ciclo mais longo de contenção monetária.
O mercado também aumentou, de US$ 23,9 bilhões para US$ 24 bilhões, sua projeção para o déficit em conta corrente em 2008. Para o próximo ano, a expectativa é o déficit chegue a US$ 31,4 bilhões.
